Após cinco dias de reuniões, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgou ontem a Carta Final de sua 17.ª Assembléia Nacional. É uma dura crítica à política econômica do governo e ao modelo agrícola que, segundo os autores do documento, privilegia o agronegócio. O povo brasileiro, de acordo com a carta, ?está vendo suas esperanças se desfazerem diante de decisões do governo federal de continuar privilegiando a lógica do mercado capitalista e o equilíbrio financeiro?. Para a CPT, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o custo dessa política é ?o desequilíbrio social e a injustiça?.

A assembléia, em Goiânia, terminou domingo à noite. Mas a Carta Final só foi divulgada ontem. Seu texto reitera o apoio da CPT aos movimentos sociais que organizam lutas pela posse da terra. Também ataca a lentidão do governo na execução da reforma agrária, lembrando que em 2003 foram assentadas apenas 36 mil famílias, segundo dados oficiais, ao mesmo tempo que se executava judicialmente o despejo de 35 mil famílias, enquanto outras 61 mil continuam ameaçadas de expulsão.

Por outro lado, segundo a CPT, ?o Estado continua inoperante, omisso, quando não conivente com um agronegócio que grila centenas de milhares de hectares de terras públicas e avança sobre pequenas e médias propriedades?.

Violência

As críticas mais duras do documento são contra as atividades empresariais em grande escala na zona rural: ?Onde cresce o agronegócio crescem, na mesma proporção, o conflito e a violência. Mais de um milhão de pessoas foram vítimas de algum tipo de violência, sobretudo nos estados onde está se expandindo a monocultura da soja, do eucalipto, do pinus, do bambu, da cana, do algodão, da laranja, do fumo e do gado.?