Brasília e São Paulo – Os policiais federais decidiram na noite de ontem, suspender definitivamente a greve, que durou mais de 50 dias. De acordo com presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Carlos Garisto, pelo menos 16 sindicatos estaduais já decidiram pelo fim da paralisação.

“A exigência do Márcio (Thomaz Bastos) era essa (…) Agora a gente quer saber o que ele quer mais”, disse Garisto. A suspensão da greve foi solicitada pelo presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), como forma para se tentar a reabertura do canal de negociação entre o Ministério da Justiça e a federação.

Na última semana, os policiais resolveram suspender a greve por três dias. Eles também contam com apoio de senadores como Geraldo Mesquita Júnior (PSB-AC) e Serys Slhessarenko (PT-MT) para negociar com Bastos. A greve dos agentes, escrivães e papiloscopistas (especialistas em impressões digitais) da Polícia Federal começou no dia 9 de março. A categoria reivindica melhor remuneração com cumprimento da Lei 9.266/96, que prevê a exigência de nível superior para as três ocupações. O comando de greve já havia recusado duas propostas do governo para pôr fim ao movimento grevista. A primeira, um aumento de 10%, e a segunda, uma proposta de reajuste salarial, desta vez de 17%.

Mobilização

As entidades de outras categorias dos servidores públicos devem lançar a última ofensiva contra a proposta do governo federal de aumentar o salário via gratificações de desempenho, organizando caravanas a Brasília na próxima semana. Os sindicalistas tentam se mobilizar para obter a adesão à greve de setores que ainda não pararam até o próximo dia 20, na véspera do prazo definido pelo governo para a aceitação de sua proposta.

De acordo com o comando de greve, cerca de 150 mil dos 457 mil servidores civis do Executivo já estão parados no País.