A polícia investiga a denúncia de tortura contra uma equipe de reportagem do jornal carioca O Dia, por supostos integrantes de uma milícia, que domina a comunidade Batan, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, os editores do jornal procuraram, na semana passada, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para relatar os fatos.

Uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal teriam sido torturados por cerca de sete horas, com choques elétricos, socos e pontapés. O crime teria acontecido no dia 14 de maio, quando a equipe, que estava disfarçada, morando no interior da comunidade com o objetivo de produzir uma reportagem sobre o dia-a-dia de quem vive sob o domínio dos grupos milicanos, foi descoberta.

De acordo com a Secretaria de Segurança, assim que soube do ocorrido, Beltrame se reuniu com o comandante da Polícia Militar tenente-coronel Gilson Pitta, e o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Repressão s Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e a Corregedoria Geral Unificada, que investigam o possível envolvimento de policiais no caso.

O governo do estado do Rio divulgou nota oficial, na qual considera "absolutamente intolerável o fato ocorrido com a reportagem de O Dia". Ainda de acordo com a nota, logo que tomou conhecimento, o governador Sérgio Cabral determinou rigor máximo nas investigações.

O documento também garante que o governo mantém firmes as ações de combate criminalidade, seja do tráfico de drogas ou de milícias armadas, e defende a liberdade de expressão com a atuação da imprensa, que "precisa – e deve – fazer o seu trabalho". Ainda segundo o texto divulgado, Sérgio Cabral, que também é jornalista e filho de jornalista, determinou que as investigações sejam "rigorosas e tragam respostas o mais rapidamente possível".