Dirigentes de mais de 60 entidades das áreas de saúde e educação suspeitas de usar títulos de filantropia falsos para não pagar impostos, serão intimados pela Polícia Federal (PF) para depor na próxima semana. A PF e o Ministério Público (MP) têm indícios fortes do envolvimento de todas essas entidades e a tendência é que seus dirigentes sejam indiciados por corrupção, peculato e formação de quadrilha, a exemplo dos seis chefes do grupo, presos ontem (13).

A PF e o MP estudam pedir a prisão preventiva de alguns dos dirigentes para evitar que fujam do País ou que obstruam as investigações. Há entidades de todas as regiões, mas a maior parte é de São Paulo. Algumas delas, segundo a PF, seriam franquias de uma importante rede de ensino privado. A polícia ainda vai averiguar se a matriz dessa rede tem algum envolvimento com as irregularidades.

A PF também deverá realizar diligências na empresa de consultoria BM, do conselheiro Euclides da Silva Machado, membro do Conselho Nacional de Ação Social (CNAS), um dos presos na operação. A empresa dava consultoria para entidades que queriam obter o título de filantrópica e fornecia as orientações para conseguí-lo de forma fraudulenta, mediante o suposto pagamento de propina a conselheiros.

Com o título de filantrópica, as instituições ficavam isentas do pagamento de impostos e contribuições sociais. A fraude teria causado um rombo de R$ 4 bilhões aos cofres públicos nos últimos quatro anos. Na operação, foram presos o ex-presidente do CNAS Carlos Ajur Cardoso Costa e outros cinco suspeitos, entre os quais Euclides, um outro conselheiro, Márcio José Ferreira, e dois advogados que intermediavam os contatos entre o conselho e as entidades interessadas em comprar os certificados.