Foto: Arquivo/O Estado

Se faltar novamente, ex-ministro será levado a depor por força policial.

O depoimento do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci à Polícia Federal no inquérito sobre a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa ficou para a quarta-feira da próxima semana. Palocci chegou a ser intimado mais uma vez na tarde de ontem e deveria depor na segunda-feira, mas apresentou um atestado médico de quatro dias e a data teve de ser revista. A PF também está atrás do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso para que preste um segundo depoimento. Hoje, Mattoso não foi encontrado em Brasília.

O ex-ministro deveria ter deposto na manhã de ontem. No entanto, na última quinta-feira, seu advogado, José Roberto Leal, pediu o adiamento ao delegado que preside o inquérito, Rodrigo Carneiro Gomes, alegando que Palocci está com problemas de saúde. Mas, apesar de ter até a manhã de hoje para apresentar o atestado médico, nem Leal nem Palocci o encaminharam a tempo – o que levou o ministro a ser intimado formalmente pela segunda vez.

Para a polícia, consta que Palocci faltou ao primeiro depoimento. Se faltar ao novo depoimento marcado e tiver que ser chamado uma terceira vez, terá que ser usado um mandado de condução coercitiva – ou seja, o ministro será levado a depor por força policial. A PF, no entanto, não acredita que se chegue a tanto. Ao contrário, especula-se que Palocci pode ir depor antes mesmo da quarta-feira.

A PF aguarda as declarações de Palocci para tentar fechar as duas pontas da história que levou à quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro. O delegado quer saber do ex-ministro primeiro, quem acionou a Caixa Econômica Federal para que se mexesse na conta de Francenildo e como se sabia que o caseiro era cliente do banco. Em seu depoimento, o ex-presidente da CEF disse que entregou nas mãos de Palocci os extratos da conta de Francenildo. Gomes quer saber se foi o próprio ex-ministro que fez o pedido.

A outra ponta no caso também está nas mãos de Palocci. Se recebeu diretamente de Mattoso os extratos, o ex-ministro terá que explicar o que fez com os dados. Principalmente, como cópias dos extratos da conta de Francenildo foram parar nas mãos de jornalistas da revista Época. Até agora, a investigação chegou à forma com que o sigilo foi violado e o caminho que ele seguiu até as mãos do ministro.

A PF também quer que Mattoso – o único indiciado até agora pela quebra de sigilo de Francenildo – preste um novo depoimento. Esta semana, dois técnicos da CEF disseram ao delegado que ouviram de Mattoso que jornalistas já haviam tido acesso ao extratos do caseiro. Por isso, o ex-presidente da CEF havia pedido que os dois encaminhassem os dados para o Sisbacen e o Coaf, que investigam movimentações financeiras irregulares, antes do vazamento. Gomes quer saber como Mattoso sabia de antemão do vazamento. Em seu depoimento, na última segunda-feira, Mattoso disse que pediu aos técnicos que comunicassem ao Coaf e ao Sisbacen a movimentação financeira de Francenildo, mas não cita que sabia de um possível vazamento para a imprensa.

Mattoso disse à PF que a idéia de levantar os extratos de Francenildo foi sua e confirmou que recebeu de Schumann os dados em um envelope na noite do dia 16 de março, quando jantava com dois assessores no restaurante La Torreta. Mas que nenhum dos dois sabia do que se tratava. Depois do jantar, disse Mattoso, em torno das 23h, ele mesmo foi até a casa do ex-ministro, onde ficou por cerca de cinco minutos, e entregou o envelope. Mattoso disse que achou importante que seu ?superior hierárquico? tomasse conhecimento da movimentação financeira de Francenildo, mas não explicou o porquê.