Brasília – A Polícia Federal indiciou por suspeita de corrupção e fraude em licitações o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho. Em seu depoimento à Polícia Federal (PF), Marinho inocentou o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), de participação no suposto esquema da de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Ao sair da PF, depois de ficar durante aproximadamente oito horas prestando depoimento, Marinho classificou como ?bravata? a conversa gravada que teve com empresários. Na gravação, divulgada pela revista Veja, Marinho afirmou que ele agia com o aval de Jefferson. Marinho confirmou à PF a versão do petebista, que na semana passada, ao se defender no plenário da Câmara, afirmou que os dois só teriam se encontrado três vezes e publicamente.

Marinho afirmou que estava arrependido: ?Sei que errei. Falei demais, falei coisas que não deveria ter falado.? Ele disse ainda que tinha envergonhado sua família após aparecer em gravações detalhando o suposto esquema de propina na estatal.

Após saber do depoimento que inocentou Jefferson, o PTB confirmou que desistiu de entregar os cargos que detém no governo Lula. O partido também decidiu recomendar à bancada para não apoiar a CPI dos Correios. O próprio Roberto Jefferson já havia antecipado a decisão do PTB se Marinho não o envolvesse no escândalo. ?Se ele fizer isso, não tenho mais motivo para persistir na CPI?, disse o deputado.

No depoimento à PF, Marinho manteve a linha de que não há o esquema de corrupção nos Correios denunciado pela imprensa e que tudo não passou de armação. Ele disse que dois empresários, que se identificaram como Vítor e Goldman, o procuraram afirmando que eram representantes de uma empresa norte-americana. Marinho afirmou, no entanto, que a empresa não existe e que tudo era armação dos dois homens.

O delegado Luís Flávio Zampronha, responsável pelas investigações sobre as suspeitas de corrupção nos Correios, disse que a Polícia Federal não está convencida da versão apresentada pelo ex-chefe de departamento Maurício Marinho. A PF vai agora checar, minuciosamente, o conteúdo do depoimento prestado por Marinho. O delegado não quis entrar em detalhes para não atrapalhar a apuração, mas afirmou que Marinho caiu em várias contradições, cujo teor será confrontado com dados de uma auditoria que é feita nos contratos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos pela Controladoria-Geral da União (CGU).

A polícia ouviu também ontem o assessor da Diretoria de Administração dos Correios, Fernando Godoy. Ele negou participação no esquema e disse que não sabe porque Marinho citou seu nome na gravação. ?Não sou culpado de nada?, afirmou.