São Paulo  – Sob suspeita de envolvimento em esquema de evasão de divisas, o ex-prefeito Celso Pitta foi interrogado e indiciado ontem na Polícia Federal em São Paulo. A PF enquadrou formalmente Pitta em cinco crimes: lavagem de bens, direitos e valores, operação de câmbio não autorizada, violação à ordem tributária, peculato e formação de quadrilha.

O depoimento arrastou-se por quase nove horas. Pitta chegou à PF às 10 da manhã, mantendo a versão de que jamais possuiu contas fora do País. Mas o procurador da República Pedro Barbosa Pereira Neto e o delegado Protógenes Queiroz, que preside inquérito sobre remessas para paraísos fiscais, exibiram a ele documentos que indicam movimentações de cerca de US$ 5 milhões, das quais o ex-prefeito seria o principal beneficiário. O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) também está sendo investigado no mesmo inquérito.

Os papéis bancários foram obtidos nos Estados Unidos por missão conjunta do Ministério Público Federal e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista do Banestado. Eles apontam operações de uma offshore, a Cutty International, que manteve conta no MTB Bank de Nova York.

Fechada em 1999, segundo a PF, a conta Cutty tinha como titulares Pitta e sua ex-mulher, Nicéa Camargo.