A Polícia Federal está rastreando informações que apontem enriquecimento ilícito de envolvidos na Operação Xeque-Mate. Dados das quebras de sigilo fiscal dos acusados constante do inquérito ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso mostram movimentações financeiras superiores aos rendimentos declarados por parte deles. Um dos alvos da devassa é Dario Morelli Filho, amigo e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No relatório enviado pela Receita Federal, a análise de movimentação financeira de Morelli de 2002 a 2006 levantou suspeita. A primeira delas foi o aumento da movimentação financeira dele entre 2005 e 2006. Segundo a Receita, Morelli movimentou R$ 320 mil em 2005 e R$ 661 mil no ano seguinte.

Nos anos de 2002, 2004 e 2005, a movimentação financeira de Morelli esteve substancialmente acima do total de seus rendimentos. Em 2002, ano em que Lula chegou à Presidência, Morelli teve uma movimentação de R$ 176 mil, enquanto seus rendimentos foram de R$ 21 mil. Em 2004 ele movimentou R$ 178 mil e teve rendimento de R$ 38 mil. Já em 2005 os rendimentos foram de R$ 53 mil e a movimentação chegou a R$ 320 mil.

O compadre de Lula é acusado pela PF de ser sócio do ex-deputado estadual Nilton Servo, um dos supostos líderes da máfia dos caça-níqueis. Eles seriam os donos da Deck Vídeo Bingo, em Ilhabela (SP), registrada em nome de um laranja. Para a PF, Servo repassava valores para Morelli, que entre outras tarefas tinha a função de corromper policiais. Segundo apontam os grampos telefônicos, o amigo de Lula ficou sabendo da operação antes mesmo de ela ser deflagrada.