Brasília – Depois de descobrir fraudes na importação de derivados de sangue, a Polícia Federal começou a investigar também supostas irregularidades em compras de insulina e de remédios contra a aids ao longo do ano passado. Os policiais da Operação Vampiro ampliaram a investigação porque integrantes da Máfia do Sangue estariam fazendo negócios suspeitos em torno do fornecimento de insulina e de remédios contra aids para o Ministério da Saúde.

A PF também vai apertar o cerco sobre o grupo de laboratórios apontados como os principais beneficiários das fraudes no Ministério da Saúde. Pelo menos 15 grandes corporações estão sob investigação. São empresas com negócios nos Estados Unidos, Europa e Japão, entre outros países, que poderão perder o filão do mercado brasileiro.

“As corporações estão sendo investigadas e é possível que sejam denunciadas por improbidade administrativa. Se forem condenadas, estarão proíbidas de firmar contratos com o governo”, afirmou um dos investigadores.

Só em 2003, a Coordenação Geral de Recursos Logísticos do ministério gastou R$ 657 milhões com a aquisição de insulina e de retrovirais. A insulina é essencial no tratamento de diabéticos. O ex-coordenador geral de Recursos Logísticos Luiz Cláudio Gomes da Silva está preso desde quarta-feira da semana passada na Superintendência da Polícia Federal. Ele é um dos servidores acusados de envolvimento com o esquema de desvio de dinheiro destinado à compra de coagulantes usados por hemofílicos.

A PF começou a desconfiar de irregularidades na compras de insulina e medicamentos contra a aids a partir da análise do conteúdo de conversas de integrantes da Máfia do Sangue. Nas conversas, gravadas com autorização judicial, os acusados fazem comentários em código sobre o fornecimento de insulina e retrovirais. Segundo um dos investigadores, são conversas similiares às que integrantes do grupo costumavam ter quando tratavam de fraudes nas licitações para a importação de derivados de sangue.

Ressarcimento

O governo anunciou que vai pedir ressarcimento a empresas envolvidas no esquema de fraude nas licitações de hemoderivados. “Vamos atrás do dinheiro desviado”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Gastão Wagner. O esquema de corrupção para compra de hemoderivados, proteínas indispensáveis para o tratamento de hemofílicos, vem sendo investigado desde março de 2003 pela Polícia Federal.