Exatamente um mês após o crime que chocou o País, a Polícia Civil planeja encaminhar nesta terça-feira (29) à Justiça o inquérito número 301/08 sobre a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, que morreu após ser atirada do 6º andar do Residencial London, na zona norte de São Paulo. No relatório, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Helena da Silva Pontes, do 9º Distrito Policial, devem incluir o pedido de prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Os dois foram indiciados no dia 18 por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima).

Em 30 dias, foram ouvidas pouco mais de 65 pessoas, incluindo o casal, parentes, amigos e testemunhas. Mas é nas 83 páginas do laudo final elaborado pelo Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC) que estão as principais provas contra o casal. Além de confirmar a tese da acusação, fotos anexadas ao laudo dão idéia do calvário a que Isabella foi submetida no apartamento.

Na folha 31, por exemplo, peritos descrevem e apontam com setas as manchas de sangue no corredor e no batente da porta do quarto dos irmãos. Os vestígios se concentram na altura da maçaneta, sinal de que a garota pode ter sido sacudida com violência. No mesmo local, havia digitais moldadas em sangue semelhantes a pontas de dedos de uma ?pequenina mão?. No lençol do quarto dos meninos havia sinais de uma mão infantil espalmada moldada em sangue. A suspeita é que trata-se da mão de Pietro, 3 anos, filho mais velho do casal. ?Não havia sangue nas mãos da vítima e nem sinais de que haviam sido limpas antes de a menina ter sido jogada?, disse um perito.

Chaves

A polícia apresentou ontem a chave do apartamento 62 do Residencial London, que pertence a Alexandre Nardoni, e a do Ford Ka da família. Os objetos estão apreendidos desde o início das investigações. Existe a suspeita de que uma das chaves teria sido o instrumento usado para ferir a testa de Isabella no carro. Durante a reconstituição de anteontem, os peritos simularam a agressão com a chave do tipo tetra (do apartamento) e chegaram à conclusão de que o ferimento é compatível com a ponta do objeto. Segundo a polícia, as duas chaves já estão à disposição dos advogados do casal para devolução.