Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ladeado por membros do PMDB, antes do almoço.

Brasília

– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve obter o apoio oficial do PMDB na próxima quarta-feira quando o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), convocará a executiva nacional para definir que tipo de relação a legenda deseja ter com o governo federal. Mesmo com a postura de magistrado, o próprio Temer já admite que a oposição a Lula está descartada. Em pauta, apenas as posições de independência, defendida pelos quatro governadores do PMDB, e a de apoio, como deseja a grande maioria.

O almoço do presidente Lula com as bancadas do PMDB na Câmara e Senado, ontem, não produziu uma definição, mas foi suficiente para mostrar algo ao governo: que o Palácio do Planalto terá de enfrentar dissidentes e conviver com uma ala rebelde do PMDB, a exemplo do que ocorreu com Fernando Henrique Cardoso, independentemente de a executiva nacional declarar apoio oficial a Lula na próxima semana.

“Não há mais como adiar uma decisão partidária. A dissidência é a regra do partido, é da história do PMDB”, resumiu Temer ao final do almoço de duas horas, realizado na residência oficial do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Durante o encontro, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), tentou, sem sucesso, obter uma manifestação informal dos peemedebistas em favor do governo Lula. Ao tomar a palavra, para dar início à série de discursos que encerraria a reunião política, o líder disse que o partido não podia mais ficar “em crise existencial” e não só pregou a definição já, como disse que a decisão da maioria, que ele aposta será favorável ao governo, terá de ser seguida. E fez questão de destacar que o partido “cedera” o senador Amir Lando, para liderar o governo no Congresso.

Foi a senha para que o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), expoente do grupo rebelde ali presente, ousasse pedir a palavra para declarar a impossibilidade pessoal de se integrar ao governo petista que não ajudara a eleger e cujo projeto combatera nas ruas, durante a campanha presidencial. Respeitoso para com o presidente, mas irônico no tratamento a Renan, ao qual referiu-se apenas como meu ministro da Justiça (do governo Fernando Henrique Cardoso), Geddel declarou-se oposição ao governo, mas não ao projeto de reformas, “que é do PMDB e não do PT”.

“O Renan quis avançar o sinal e dar um golpe para transformar o almoço em festa de adesão, mas fracassou. O PMDB é um partido plural e uma parte dele não quer cometer perjúrio eleitoral. Saio daqui como entrei: na oposição”, reagiu, ao final, o deputado Raul Jungmann (PMDB-PE). “Foi o PT que mudou; o PMDB é o partido-mãe das reformas”, completou Darcísio Perondi (PMDB-RS), para quem o partido não vive qualquer crise existencial. “O problema é que tem um grupo fisiológico nortista, liderado por Renan, Sarney e Lando, que quer vender o partido ao PT”, denunciou.

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