Um novo fator de desconfiança está atravessando a negociação do Palácio do Planalto com o PMDB para conseguir o maior número possível de votos a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Depois da descoberta de Tupi, a megajazida de petróleo na Bacia de Santos, o PMDB pôs entre as exigências fundamentais para votar a favor do imposto do cheque a garantia de que manterá seus cargos no Ministério de Minas e Energia, inclusive o de ministro.

Os peemedebistas avaliam que o ministério se transformou em um posto estratégico com a descoberta de Tupi. Argumentam que isso atiçou a cobiça política e levou os petistas a se mobilizarem perante o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retomar um cargo que já foi deles – o de ministro de Minas e Energia, que pertenceu a Dilma Rousseff no primeiro mandato de Lula (2003-2006).

O clima de disputa e desconfiança entre petistas e peemedebistas é crescente no Senado, especialmente no grupo do presidente licenciado Renan Calheiros (PMDB-AL) e do senador José Sarney (PMDB-AP), que apadrinhou a indicação do ex-ministro Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia neste segundo mandato de Lula. Rondeau caiu no decorrer das investigações feitas pela Operação Navalha, quando ficou sob suspeita de ter recebido propina, o que a Polícia Federal ainda não provou.