Brasília
(AE) – Reunida ontem de manhã, a Executiva Nacional do PMDB decidiu que os convencionais só responderão a uma pergunta: se aceitam uma coligação com o PSDB e a indicação da deputada Rita Camata como vice na chapa com o senador José Serra. Quanto ao assédio do PT a setores dissidentes do PMDB em busca de apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, o presidente nacional da legenda, Michel Temer, respondeu: “Parece ser extremamente útil ao PT que haja um abalo na aliança PSDB-PMDB. Se o PT estiver agindo assim, está jogando muito bem”. Temer referia-se aos encontros de Lula ontem com os senadores José Sarney e Pedro Simon.Temer afirmou ontem que as negociações com o PSDB para resolver pendências regionais estão prosperando de forma positiva, desde que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra assumiram a ofensiva para viabilizar a aliança entre os dois partidos. Segundo Temer, o presidente do PSDB, José Anibal, informou que a direção partidária deve intervir no Acre, com o objetivo de consolidar a aliança com o PMDB.
O PSDB acreano, que chegou a anunciar uma coligação com o PMDB para o governo estadual, estaria disposto agora a apoiar informalmente o governador Jorge Viana, do PT. “A nossa avaliação é de que ganharemos a convenção no dia 15 de junho”, afirmou Temer. Ele disse que examinará, de acordo com o estatuto do partido, as propostas que o grupo de oposição encaminhará à Executiva pedindo que na convenção seja votada a possibilidade de o PMDB coligar-se ou não com o PT. A Executiva Nacional do PMDB também decidiu manter a data do dia 15 de junho para realizar a convenção nacional do partido, destinada a formalizar a coligação com o PSDB para a disputa à sucessão presidencial. No encontro, o comando do PMDB definiu o texto do edital que convoca a convenção.
Dissidentes
Por sua vez, a ala dissidente, comandada pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, vai registrar até hoje, junto à Executiva, outra questão a ser levada à convenção, indagando se os convencionais aceitam coligar com outro partido. A proposta será apresentada pelo senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM). Quércia vai propor, em outra pergunta, a coligação do PMDB com o PT, com a indicação de um membro do partido para vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato do grupo, segundo informou Quércia à Agência Estado, é o senador Pedro Simon (RS).
Ontem, depois da reunião da ala dissidente, Lula se reuniu com o senador José Sarney (PMDB-AP) e à noite jantou com Simon. Quércia disse estar confiante no apoio à sua proposta e negou que tivesse feito um acordo, ontem, com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, aceitando que os convencionais respondessem apenas à questão sobre a coligação com o PSDB.


