A Polícia Militar do Rio de Janeiro vai consultar equipes táticas especializadas, psicólogos e negociadores do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para estudar os erros cometidos durante a abordagem do ônibus da linha Praça 15-Duque de Caxias, na terça-feira, que foi sequestrado. O objetivo é usar o caso como referência durante os cursos de formação e aperfeiçoamento de seus agentes.

“Vamos nos debruçar sobre esse caso com cuidado para aprimorar nossa atuação”, afirmou o coronel Ibis Pereira, porta-voz da PM fluminense. “Foi uma situação extremamente complexa, com uma granada que poderia explodir dentro de um ônibus em movimento.” Após a análise da operação pelos especialistas, o caso será aplicado como modelo pedagógico durante a instrução de policiais. O porta-voz da PM alerta, no entanto, para o fato de que é impossível adotar um protocolo único para ações semelhantes.

“Não há manual no mundo que funcione como receita de bolo em um caso como esse. É preciso aprender com cada situação”, disse o coronel. “No caso do ônibus 174, houve falha no momento da negociação. Agora, a negociação foi bem conduzida, tanto que o criminoso entregou a granada na mão do policial.”

Segundo o porta-voz da PM, o sequestro do ônibus deve ser encarado como um caso complexo, devido à presença de um explosivo a bordo. “Se aquela granada explodisse ali dentro, o ônibus viraria pó. Nós tínhamos uma bomba ambulante, com vidros escuros que impossibilitavam a visão do interior do veículo, em uma via de altíssimo movimento. A tragédia poderia ter sido ainda maior do que foi”, declarou.