O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na segunda-feira de Nova York para o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia – citado no relatório da Polícia Federal que trata do mensalão mineiro – e pediu a ele que mantivesse a tranqüilidade. ?Toca para a frente e faça seu trabalho?, recomendou. Por ordem de Lula, o governo começou na segunda mesmo a montar uma operação para salvar Mares Guia.
A estratégia para os próximos dias inclui até declarações públicas de dirigentes do PT – que reúne nesta terça-feira (25) sua Executiva Nacional – a favor do articulador político do Planalto. O fim do fogo amigo foi exigido por Lula para estancar a crise e evitar que o caso do mensalão mineiro – suposto esquema de caixa 2, a partir de desvio de dinheiro público, para a campanha de 1998 do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador – atrapalhe a votação de projetos de seu interesse. A prioridade agora, é a emenda que estica a validade da CPMF até 2011.
Até ontem, petistas que nunca se conformaram com a perda de espaço no segundo governo Lula comemoravam o inferno astral de Mares Guia, de olho em sua cadeira. O 3º Congresso do PT chegou a aprovar, há 23 dias, resolução na qual pede mais ?agilidade? da Procuradoria-Geral da República na apuração das denúncias de caixa 2 e desvio de dinheiro público na campanha à reeleição de Azeredo. A PF suspeita que Mares Guia tenha sido um dos mentores do mensalão mineiro. Ele nega.
Auxiliares de Lula diziam ontem que nem o presidente nem o ministro imaginavam que esse caso pudesse respingar no Planalto. A orientação do governo, agora, é para que Mares Guia dê mais publicidade à sua defesa. ?Se eu tivesse meio por cento de dúvida sobre a lisura das minhas contas, entregaria o cargo?, disse ele ao presidente, antes da viagem a Nova York.


