ACM, Maciel e Bornhausen:
de vidraça a estilingue.

Brasília

– Acostumado ao conforto do governo desde o governo de José Sarney (1985-1990), o Partido da Frente Liberal ensaia para ficar na oposição. Não bastam discursos afinados, mas argumentos e números para contestar as propostas de Lula. E o PFL decidiu arrumar a casa para a nova missão. Assessorias das lideranças terão seus perfis reformulados para munir deputados e senadores com dados sobre cada passo dado pelo governo petista. “O PFL é bom de governo, mas precisa se adestrar para a oposição”, observa o senador José Agripino (RN), líder do partido.

Prática corriqueira em gabinetes do PT, o acompanhamento sistemático dos gastos públicos por intermédio do Siafi, sistema que permite verificar passo-a-passo cada centavo aplicado, será adotado pelos liberais. Na Câmara, o líder Inocêncio Oliveira (PE) decidiu criar um grupo especializado no tema. Não faltam candidatos. Ontem mesmo, recebeu currículos de pretendentes ao posto com pós-graduação em políticas públicas. Inocêncio quer também instituir a leitura do Diário Oficial e a produção de um detalhado relatório diário. “Há um ano assumimos independência. Estávamos na transição e agora vou fazer um curso de oposição – diz Inocêncio. Uma das diretrizes é montar um arquivo com as promessas feitas pelo PT nos palanques da campanha presidencial e durante a transição. Tal como o PT fez com o presidente Fernando Henrique Cardoso, cada palavra será cobrada pelos opositores de amanhã.

O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), também ensaia os primeiros passos na oposição e ontem disse que a bancada tucana vai defender o valor de R$ 240 para o salário mínimo, a partir de abril de 2003. “Nós não votaremos nunca um salário mínimo abaixo de R$ 240”, afirmou o líder.

Já o PMDB, que conta com uma ala do partido defensora de aliança com Lula, terá uma parcela na oposição. Por enquanto, vai com cautela. O partido divulgará na próxima terça-feira, um documento anunciando o compromisso do partido com o exercício de uma oposição responsável ao PT, independente, porém comprometida com a governabilidade. A promessa será firmada num documento assinado pela Direção do PMDB e divulgado em evento que reunirá todos os governadores eleitos da legenda, exceção para o do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Segundo fontes do comando peemedebista, Requião adotou uma postura dissidente dentro da sigla na tentativa de construir um canal privilegiado de interlocução com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que o apoiou no Estado contra o senador Alvaro Dias (PDT).