Os argumentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o salário mínimo de R$ 240 era o valor máximo que a prudência recomendava, não convenceram a oposição no Congresso. O PFL apresentou ontem uma emenda à medida provisória do mínimo propondo reajuste para R$ 260. As bancadas do partido na Câmara e no Senado fecharam questão para aprová-la mas não contam com apoio definitivo dos demais partidos de oposição.

Estudo feito pelo deputado Eduardo Paes (PFL-RJ), acolhido pelo PFL, chegou a trabalhar com uma faixa de aumento que ia de R$ 250 a R$ 330. “Ficamos com R$ 260 para trabalhar o apoio do PSDB à nossa proposta”, explica Paes. O estudo, “Salário mínimo, responsabilidade social com responsabilidade fiscal”, aponta para um acréscimo de R$ 2,7 bilhões nas contas da Previdência com o pagamento de benefícios atrelados ao mínimo.

Para financiar essa despesa, o PFL sugere que o governo utilize as verbas orçamentárias reservadas ao pagamento das emendas dos parlamentares, que somam R$ 1,7 bilhão. Também destaca que, só em janeiro e fevereiro houve arrecadação extra de R$ 800 milhões – se o ritmo for mantido, esse valor chegará a R$ 4,8 bilhões no final do ano.

“Não estamos sequer considerando os ganhos no Orçamento com o aumento da inflação”, diz o deputado Eduardo Paes. “É uma proposta concreta que não joga para a platéia e sim com dados da realidade.” O deputado também argumenta que os R$ 260 representam aumento real de 10,17%, e que este é o primeiro passo para o presidente Lula dobrar o valor de compra do mínimo em quatro anos, como prometeu.