ACM: 200 horas de “conversas vergonhosas”.

São Paulo

– A revista IstoÉ desta semana traz reportagem em que o senador Antonio Carlos Magalhães admite que mandou gravar as conversas telefônicas do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). O senador afirmou ao jornalista Luiz Cláudio Cunha, no dia 30 de janeiro, ter 200 horas de “conversas vergonhosas dele (Geddel Vieira Lima), inclusive com o presidente da República”. A declaração foi feita quando o senador falava sobre seu acerto de contas com o arquiinimigo na Bahia, o deputado Geddel. Ele disse que amigos deles fizeram as gravações. “Gravaram tudo, a meu pedido. Cheguei a mandar alguns expedientes ao Fernando Henrique, mas ele não tomou nenhuma providência.”

ACM mostrou um documento de 170 páginas sob o título “Relatório confidencial”, com o registro de 126 conversas de Geddel entre 19 de maio e 21 de agosto de 2002. O senador disse que trata-se de um resumo do CD que mandou gravar, mas que foi destruído. “Na época em que estava sendo grampeado, o Geddel desconfiou de alguma coisa, acionou a Polícia Federal e o meu pessoal destruiu o material de gravação… Se apavoraram e, sem me consultar, destruíram o material. Destruíram tudo. Fiquei irritadíssimo quando soube que destruíram”.

O senador ACM é o principal suspeito no caso de grampos telefônicos a políticos baianos. O procurador parlamentar da Câmara, Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), investiga o caso e afirmou, essa semana, que já existiam indícios do envolvimento de ACM. Foram detectadas 257 escutas telefônicas, sendo que 232 delas foram realizadas no período pré-eleitoral, inclusive às vésperas da eleição. Além de Geddel, o ex-deputado Benito Gama (PMDB) e o parlamentar petista Nelson Pellegrino também foram vítimas dos grampos.

Ontem circulou em Brasília a informação de que a cúpula do PFL já aposta em nova renúncia de ACM. Mais do que isso, caciques pefelistas acreditam que ACM renunciará em no máximo um mês, antes da abertura do processo no Conselho de Ética. Integrantes do alto-escalão da legenda dizem que ACM não resistirá ao constrangimento de ver Adriana Barreto depor publicamente e revelar detalhes da longa relação íntima que mantiveram. Em 2001, ACM renunciou ao cargo no Senado depois de acusado pela violação do painel eletrônico da Casa. Em outubro do ano passado, foi eleito para novo mandato.

No entanto, o senador apressou-se ontem em negar que esteja isolado dentro de seu partido. Segundo ele, os líderes do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), e na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), assinaram ontem um documento de apoio ao seu mandado. O documento assinado por Agripino e Aleluia nega os rumores de que o PFL estaria defendendo ACM apenas da boca para fora e que alguns integrantes da cúpula do partido já estariam dando como certa a renúncia do senador baiano.

O senador afirmou que irá ao Conselho de Ética do Senado, caso seja convocado.