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| Humberto Costa: "a saúde não deve |
Brasília – O PFL decidiu concentrar seus ataques ao governo federal no ministro da Saúde, Humberto Costa. O partido do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, tenta reverter o prejuízo político à imagem da pré-candidatura pefelista à presidência da República. O ministro Humberto Costa, por sua vez, tenta jogar a responsabilidade pela intervenção federal em seis hospitais do Rio – suspensa em parte por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) – para a suposta ineficiência administrativa da Prefeitura do Rio.
E nesta guerra, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), aproveitou a audiência pública com a participação do ministro na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado para desferir críticas à decisão do ministério de intervir no Rio. "Ministro, saúde é coisa séria. Não é para fazer política, para ser candidato ao governo de Pernambuco", afirmou, referindo-se à possível candidatura de Costa em 2006.
O ministro respondeu: "A saúde não deve ser usada para fazer política, mas foi isso (uso político) que foi feito por parte da Prefeitura do Rio de Janeiro". Humberto Costa continuou rebatendo as críticas e lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal pune prefeitos e governadores que, por exemplo, gastarem mais do que o permitido com salários, mas não define penalidades para quem gerir de forma ineficiente o sistema de saúde. "E ele (César Maia) ainda quer fazer discurso de grande gestor neste País", afirmou em tom elevado e dando um soco na mesa da comissão.
Na réplica, Bornhausen voltou a atacar o ministro e lembrou o escândalo do esquema de superfaturamento na compra de hemoderivados pelo Ministério da Saúde, esquema que perdurava desde o governo anterior e foi desmontado em 2004 por uma operação da Polícia Federal.
"O senhor é o ministro dos vampiros, que deixa faltar remédio para aids. Não venha falar de eficiência administrativa. O senhor tem que respeitar os senadores", afirmou o presidente do PFL. "O que existe no Ministério da Saúde é incompetência, ineficiência e incapacidade. Essa intervenção (no Rio) foi feita para o ministro ficar no cargo e conseguiu. A única coisa que conseguiu foi se dependurar no cargo de ministro", completou.
Logo que retomou a palavra, Humberto Costa manteve o nível dos ataques. "Eu não estou aqui para ser desrespeitado. Da mesma forma que todos os senadores são autoridades eu também sou", afirmou. "Em nenhum momento fiz agressão pessoal a quem quer que seja, diferentemente de quem me chamou de ministro dos vampiros. Eu fui o ministro que desbaratou esse esquema", acrescentou.
Anteontem, o presidente do PFL havia adiantado que o partido tentará, judicialmente, reverter os prejuízos políticos para a imagem do prefeito César Maia. Para isso, pedirá que a Justiça garanta ao prefeito do Rio um horário em cadeia de rádio e TV para responder à intervenção federal, considerada inconstitucional pelo STF no caso dos dois hospitais municipais envolvidos – Souza Aguiar e Miguel Couto. Os advogados do PFL argumentam que o tempo seria igual ao destinado ao ministro da Saúde um dia após a intervenção no Rio.



