Brasília

– A Polícia Federal vai montar uma equipe especial para investigar a corrupção na própria PF. A coordenação de assuntos internos, atualmente sem recursos e pessoal, será reaparelhada e terá a missão de percorrer o país para cuidar dos casos mais graves de envolvimento de delegados e agentes federais com crimes. A determinação do diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda, é priorizar o combate à corrupção. “Não se admitirá policial corrupto”, disse o corregedor-geral da PF, delegado Antonio Pietro.

Na última semana, a cúpula da PF começou a discutir mudanças na legislação que regula a conduta dos policiais. Na rede interna de comunicação do órgão foi divulgado um texto com sugestões para tornar mais severas as punições a quem tiver algum desvio de conduta. O documento fará parte da proposta de Lei Orgânica da PF que será enviada ao Ministério da Justiça e, em seguida, para votação no Congresso. O texto que trata do regime disciplinar dos policiais prevê que seja punido com demissão quem retarda ou deixa de praticar ato previsto em lei. Indicar por interesse pessoal nome de advogado para assistir pessoa alvo de investigação também teria a mesma punição. Até agora, a punição para esses casos não estava prevista.

Idealizado para exigir do policial um comportamento exemplar, o novo regimento sugere ainda a demissão de quem freqüentar, de forma habitual, “lugares incompatíveis com o decoro da função policial, salvo motivo justificado”. Fingir doença para escapar do trabalho será alvo de suspensão. O documento mantém a punição para o policial que, por exemplo, “contrair ou deixar de saldar habitualmente dívidas, ou assumir compromisso superior às suas possibilidades financeiras”. Foi o que aconteceu recentemente com um agente que trabalha no Nordeste. Ele comprou um carro por R$ 15 mil, não pagou o que devia e ainda revendeu o veículo por R$ 11 mil. Foi suspenso temporariamente.

Se o combate à corrupção interna é uma obsessão, a violação aos direitos humanos é considerada inadmissível. A direção da PF está disposta a expulsar quem sair da linha. Por isso, Lacerda determinou atenção especial ao caso do cozinheiro Antônio Gonçalves de Abreu, morto na PF no Rio em setembro de 2002.

Na terça-feira será aberto um procedimento administrativo para apurar as responsabilidades dos policiais que atuaram na prisão do cozinheiro. Abreu estava sob a custódia da PF e morreu com traumatismo craniano. O caso já foi enviado à Justiça, mas, agora, os responsáveis pela agressão e até mesmo aqueles que souberam do fato e se omitiram poderão ser demitidos.

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