Manaus

– A Polícia Federal no Amazonas prendeu ontem, em Manaus, 10 auditores fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e 15 empresários, envolvidos em um esquema de extorsão, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A Operação Zaqueu começou às 7h20, com a prisão do auditor Roberto Said de Oliveira, em Manaus, e terminou com a detenção do empresário João Luís Nogueira, da Tecnocargo, no fim da tarde, em Natal (RN).

O trabalho teve apoio de agentes federais de quatro estados e de Brasília e resultou na detenção de um terço dos fiscais do trabalho do Amazonas. Entre os empresários detidos estão diretores das empresas de ônibus Cidade de Manaus e Viman, da importadora JGN, da LG Eletronics, da Construtora Hoss, da Empresa de Gás Fogas e da loja de departamentos Bemol.

O presidente do Centro das Indústrias do Amazonas, Maurício Loureiro, está em Belém, mas sua assessoria acredita que os empresários detidos são vítimas do esquema. Nenhuma empresa quis pronunciar-se oficialmente.

A Operação Zaqueu começou em setembro, quando um empresário procurou a PF, reclamando de extorsão por um grupo de auditores fiscais da DRT. As investigações revelaram que os fiscais ameaçavam aplicar pesadas multas. Depois, entravam em “negociações” e o valor caía drasticamente. Pelo “benefício” concedido, havia cobrança de propina, em parte paga a intermediários, muitas vezes funcionários da empresa. Em alguns casos, a quantidade de irregularidades permitiu que fosse feito um “contrato de assistência técnica”: os auditores recebiam mensalmente, como se fossem parte da folha de pagamento.

Manter as investigações em segredo foi o principal desafio da Polícia Federal. Caso houvesse vazamento de informações, todo o processo, que envolvia o mapeamento de 40 empresas, seria abortado. Quando havia as provas necessárias, o delegado da PF Reinaldo de Almeida César, que veio de Brasília para coordenar os agentes, despachou as equipes para Manaus.

Ao todo, foram mobilizados 120 policiais federais de Acre, Rondônia, Roraima, Pará e Brasília. “Graças a isso, conseguimos cumprir todos os mandados expedidos e agora entregamos os envolvidos à Justiça”, afirmou. Na casa dos envolvidos foram apreendidos listas que comprovam propinas, cheques e R$ 84 mil em dinheiro.