Brasília – Os policiais federais suspenderam ontem a chamada operação padrão nos aeroportos do país com o objetivo de acelerar as negociações com o governo e demonstrar “boa vontade” nas discussões salariais.

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) afirmou que a operação será interrompida até segunda-feira, mas o Sindicato Nacional dos Policiais Federais (Sindipol) informou que a suspensão é por tempo indeterminado. Ambos lideram o movimento grevista iniciado na terça-feira, dia 9. Durante a operação – pela qual os passageiros passam por fiscalização mais rigorosa -, os atrasos enfrentados no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, tiveram picos de 3h, afetando mais de 100 mil pessoas e 1.200 vôos internacionais.

“Vamos paralisar, mas se o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) continuar a falar esses absurdos vamos retomar a operação, mas ainda mais lenta”, disse o presidente do Sindipol, Fernando Honorato. O Ministério da Justiça emitiu nota na noite de terça-feira acusando as reivindicações dos policiais de ilegais, principalmente a isonomia salarial entre agentes e delegados, principal reivindicação dos grevistas.

Os líderes da greve argumentam que o governo tem manipulado suas demandas e esclarecem que buscam o cumprimento de uma lei de 1996, que eleva a carreira de escrivães, agentes e papiloscopistas ao status de nível superior, o que acarretaria reajustes médios de 35 por cento, com pico de 85 por cento.

Os grevistas já fizeram duas manifestações em Brasília e outras cidades. Numa delas, houve o enterro simbólico do ministro da Justiça. Apesar da troca de acusações, o governo reiterou sua disposição de dialogar com os grevistas e “a impossibilidade de se atender a reivindicação do movimento nos termos em que foi apresentada”, segundo a nota.

O vice-presidente da Fenapef, João Valderi, disse à Reuters que quer mostrar para a população que o movimento não é “radical, baderneiro ou imprudente”. “Nós resolvemos dar o crédito, o voto de confiança ao governo, para mostrar que nós estamos abertos a negociar”, explicou Valderi. A suspensão da operação padrão, no entanto, não coloca fim à paralisação de mais de uma semana.