Com característica de operação de cartel internacional de entorpecentes – devido à capacidade financeira e à logística empregada na tentativa de embarcar, para a África, 530 quilos de cocaína pura, pelo Porto de Suape, na região metropolitana do Recife – a droga apreendida por uma ação conjunta da Polícia Federal e Receita Federal, neste fim de semana, pode ter sido colocada na carga depois de sua saída do pólo gesseiro do Araripe, no sertão pernambucano.

continua após a publicidade

“Há indícios de que os sacos de gesso foram reabertos, o que sugere que as embalagens com cocaína podem ter sido enxertadas na carga depois de sua saída da fábrica”, afirmou o superintendente regional da Polícia Federal, Marlon Jefferson de Almeida, em entrevista coletiva, hoje, na sede da PF, no Recife. “O trabalho começa agora”, complementou, ao informar que a Interpol foi acionada e inquérito policial foi instaurado para investigar a transação, considerada a maior apreensão de cocaína já realizada no Nordeste. “Vamos ouvir desde o motorista que chegou ao porto de Suape com a carga até os representantes da empresa produtora e embaladora que iria exportar o gesso”, adiantou.

O superintendente regional da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, também presente à entrevista, disse que a apreensão foi consequência do serviço de inteligência da Receita, que percebeu incompatibilidade entre a carga e a empresa exportadora. Segundo ele, o faturamento registrado da empresa era “zero”. “A partir daí informamos a Polícia Federal”, observou.

O cão Nauê ficou doente devido à grande quantidade de gesso farejada na operação de apreensão e está sendo tratado em uma clínica veterinária. A expectativa é de alta amanhã. “Pode ter sido uma alergia ao gesso”, disse o superintendente regional da PF. O órgão deve receber, ainda neste ano, um segundo cachorro capaz de farejar entorpecentes.

continua após a publicidade