Brasília (AG) – Os Indicadores Industriais de maio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados ontem, revelam que é consistente a desaceleração da atividade econômica este ano. O resultado dos principais dados da pesquisa foi negativo ou apontou estagnação. De acordo com o coordenador de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, isso ocorreu mesmo sendo maio um mês tradicionalmente de aquecimento da produção.
As vendas reais do setor caíram 1,51% em maio deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2004. O uso da capacidade instalada na indústria diminuiu de 82,1% para 81,9%, o que representa um menor ritmo de produção em maio frente ao mesmo período de 2004. Castelo Branco disse que a desaceleração se deve ao aumento das taxas de juros desde setembro para combater a inflação.
?Este cenário mostra a persistência da deterioração no quadro financeiro das empresas. O que compensou esta alta dos juros foram novas fontes de crédito como os emprétimos com desconto em folha?, afirmou o economista.
Pelos dados da CNI, pesquisados em 12 estados e com três mil grandes e médias empresas, as vendas reais tinham aumento desde outubro de 2003 e tiveram uma reversão em maio passado. O emprego na indústria ficou estável em maio. O único item positivo foi a massa salarial, que cresceu 9,22% na comparação de maio de 2005 com o mesmo mês de 2004. Neste ano, os salários já subiram 9,06%.
?Mas a perspectiva para os próximos meses não é tão favorável porque a renda na indústria está crescendo acima do faturamento?, disse o economista Paulo Mól, da CNI.
Segundo a CNI, a queda das vendas está vinculada também à valorização do real frente ao dólar, que atingiu 21% entre maio de 2004 e 2005. Castelo Branco ressaltou que os números da indústria são anteriores à atual crise política. Para ele, as turbulências no Congresso não afetaram os indicadores financeiros e não devem influenciar a decisão da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central neste mês.
?Se não contaminar os índices de preços, a crise política não deve influenciar o Copom. No atual cenário, os juros podem começar a cair em agosto?, disse o economista da CNI.


