Rio (AG) – Pelo menos nas estatísticas, os futuros vereadores estão longe de representar a população que votará em 3 de outubro. A comparação entre dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os candidatos de todo o País e os números do Censo 2000 do IBGE mostra que o mundo dos postulantes às câmaras de vereadores pouco tem a ver com a realidade do lado de fora da urna eletrônica.

O Rio de Janeiro que emerge da massa de números do TSE é majoritariamente masculino, com alto grau de instrução e idade entre 35 e 59 anos. É um estado de comerciantes, servidores públicos, professores e advogados.

Segundo o tribunal, 77,16% dos candidatos a vereador do município do Rio são homens. Na população, porém, o jogo fica a favor das mulheres: 53,09% dos habitantes são do sexo feminino.

Há discrepâncias ainda maiores, quando se olha para todo o estado. Em Varre-e-Sai, no Noroeste fluminense, as candidatas ao Legislativo municipal são apenas 8,33%, enquanto que as mulheres 48,62% da população do município. Rio das Flores, no Sul do estado, é onde elas têm maior espaço político: mais de um terço dos candidatos (34,33%) é do sexo feminino.

Candidatos

Nos dados do TSE referentes à idade, o município do Rio tem poucos jovens e idosos. De cada quatro candidatos a vereador, cerca de três (76,98%) têm entre 35 e 59 anos. No quesito ocupação, apenas quatro profissões – comerciante, servidor público municipal, professor de primeiro e segundo graus e advogado – respondem por 25,98% dos candidatos.

No grau de instrução, porém, é que surgem as maiores diferenças entre os números do TSE e do IBGE. Se os habitantes com um a três anos de estudo – ou seja, que não concluíram o ensino fundamental – representam 11,79% dos habitantes do Estado do Rio, no TSE 18,23% dos candidatos a vereador têm o fundamental incompleto. Na outra ponta, somente 7,93% dos fluminenses têm 15 ou mais anos de estudo. Entre os futuros vereadores, no entanto, 19,65% terminaram o ensino superior.