Com uma faixa com as palavras “Saneamento, sim; teleférico, não” à frente, cerca de 600 moradores da Favela da Rocinha, no Rio, partiram na noite desta terça-feira em passeata que deverá seguir pela Avenida Niemeyer até a Favela do Vidigal, e, possivelmente, até a rua onde mora o governador Sérgio Cabral (PMDB), no Leblon. Mais de 300 policiais acompanham o grupo.

 

Uma das organizadoras do ato, a estudante de administração Érica Santos, de 21 anos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), disse que um dos objetivos é cobrar a realização de obras de saneamento na favela. “Anunciaram obras do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), mas ainda não finalizaram as do PAC 1. Além disso, chegaram impondo, não perguntaram o que a gente precisa.”

 

De acordo com Érica, os moradores querem educação e saneamento. “De que adiantam um teleférico e uma escada rolante para turistas verem, se a gente ainda tem ruas com esgoto a céu aberto?”, indagou. Ela criou uma página no Facebook, com o estudante de design Dênis Neves, de 25 anos, também da PUC-Rio. Érica e Neves são moradores da Rocinha. Antes do início da passeata, eles criticavam políticos locais que, segundo eles, tentavam tirar proveito do ato.

No dia 14, a presidente Dilma Rousseff foi ao Complexo Esportivo da Rocinha para anunciar investimentos de US$ 1,6 bilhão na favela. O lançamento do PAC 2 ocorreu sem que obras do PAC 1 tenham sido concluídas na comunidade. Está prevista a construção de um teleférico com seis estações semelhante ao que existe no Complexo do Alemão, na zona norte. O Shopping Fashion Mall, que concentra lojas de luxo, está fechado para o público desde o início da tarde e portas de vidro foram cobertas com tapumes de madeira. A passeata não deverá passar perto do local.