Há cinco anos, uma enchente histórica devastou o centro histórico de São Luiz do Paraitinga e praticamente anulou naquele ano a festa do carnaval, uma das mais emblemáticas do interior paulista. Mas, mesmo entre dezenas de prédios centenários destruídos, a festa não morreu e chegou a 2015 com vida nova. Este ano será a primeira celebração depois de a Igreja da Matriz, a principal da cidade, ter sido totalmente reconstruída, restaurando o cenário que define o carnaval no município.

A imagem do templo ruindo com a força das águas no ano novo de 2011 foi chocante. O estrago ainda pode ser visto em alguns casarões no centro histórico, que não passaram por reforma, mas a simbólica igreja teve sua restauração finalizada em maio de 2014.

O artista plástico Benito Campos, de 62 anos, criador do tradicional bloco Juca Teles, acredita que, apesar do incidente, o carnaval acabou ganhando força depois da enchente. “Foi triste ver a minha cidade ser arrasada. Mas vários municípios do interior quiseram levar o carnaval de Paraitinga para lá”, conta ele, entre os bonecos, máscaras e estandartes de seu ateliê.

A expectativa é de um público de até 150 mil pessoas nos quatro dias de carnaval – o município tem uma população de 11 mil. Os primeiros blocos, como o Rei Canário, já saíram nesta sexta-feira (13) à noite. Mas é neste sábado (14) que o Juca Teles leva às ruas a “incitação à farra e à folia”, o grito poético de carnaval entoado por Campos.

Um estandarte expõe a filosofia do bloco: “Como viver sentindo a passagem do tempo”. “É a reflexão do caipira filosófico. Quando se olha o céu, vemos nossa insignificância. Do céu e inferno ninguém escapa, então vamos cair na gandaia.”

Às 12 horas, “em pleno sol que arrebenta mamona”, o boneco de Juca Teles, de 12 quilos, desfila ao lado de sua musa inspiradora, Nhá Fabiana, de cabelo esvoaçante laranja à la Rita Lee. Juca Teles do Sertão das Cotias era o codinome de um personagem histórico da cidade, chamado Benedito de Souza Pinto, que viveu entre 1888 e 1962. Foi informante do escritor Alceu Maynard de Araujo sobre folclore e tradição regional. Sua figura e importância foram resgatadas por Campos em 1985. “Tiravam-no de maluco, mas ele colaborou com uma importante documentação da história e faz parte da identidade de Paraitinga”, diz Campos, que vai levar seu bloco a outras três cidades. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.