O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta sexta-feira (14) que houve um certo "exagero" na ata divulgada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que sinalizou que poderia ter havido um aumento da taxa básica de juros já na reunião passada. Na avaliação do ministério, não há qualquer risco de inflação de demanda no País já que a indústria tem produzido o suficiente para atender ao consumo.

Apesar disso, o ministro admitiu ser normal que o BC e o ministério tenham visões diferentes a respeito desse assunto. "Eu acho que nós, do ponto de vista do ministério, não corremos risco de inflação de demanda. A indústria é capaz de atender à demanda atual, portanto, não há riscos, em todas as análises feitas por nós", afirmou, após proferir palestra "Negócios como motor do desenvolvimento brasileiro – Inovação e Tecnologia", na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na capital paulista.

"Mas o BC, como todos os bancos centrais, é conservador. E tem que ser assim. Um BC progressista quebra um país. Portanto, tem que se preocupar, tem que agir preventivamente, tem que olhar para frente." acrescentou.

Questionado, Miguel Jorge não respondeu se concordava com as avaliações de as medidas anunciadas pelo governo nesta semana para conter a valorização do real ante o dólar eram inócuas, mas ressaltou que essas são as primeiras de uma série de ações com o objetivo de elevar a competitividade da indústria e dos exportadores. "Virão outras medidas que podem, no conjunto, ter um efeito muito importante", revelou. As medidas não teriam um efeito direto sobre o câmbio, mas serviriam para estimular as vendas externas. "É difícil fazer com que o dólar deixe de se desvalorizar. Esse é um problema inerente ao dólar e à economia americana", observou.