O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República Luiz Dulci, afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de iniciar ação criminal contra 40 denunciados no escândalo do mensalão "nada tem a ver com o governo." Segundo Dulci, "a decisão do Supremo é de abrir processo contra pessoas individuais" – e o governo, justificou, "já foi julgado nas urnas democraticamente e recebeu uma aprovação consagradora do povo brasileiro.

Para o ministro, o julgamento dos acusados pelo Supremo não é um julgamento do governo. "Na democracia, quem julga politicamente não são as pessoas, ainda que as opiniões sejam todas respeitadas. Quem julga na democracia é o povo soberano, e o povo soberano reelegeu o presidente Lula." Dulci lembrou que, apesar de este assunto ter sido intensa e sistematicamente debatido na campanha pelas oposições, "o presidente foi reeleito de um modo consagrador, e o que o governo vai fazer é cumprir o mandato popular, continuar governando, para tornar o País cada vez mais justo.

Ante a insistência de repórteres em perguntar se a decisão do STF de abrir processo contra os 40 do mensalão nem ao menos respingará no governo, o ministro respondeu: "A decisão (do STF) foi sobre os autos, e não havia nada sobre o governo do presidente Lula em exame." Sobre o fato de um dos denunciados ser o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu – um dos principais integrantes do primeiro governo do presidente Lula -, Dulci disse que, "de acordo com o Código Penal Brasileiro, não só ele, mas todos os demais indiciados terão direito de defesa. O processo vai tramitar e terá sua decisão.

A uma pergunta sobre a afirmação do deputado Roberto Freire (PPS-PE) de que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, errou ao não incluir o presidente Lula no processo, o ministro Luiz Dulci declarou: "O presidente Lula, repito, foi julgado nas urnas, depois de uma disputa tremenda, de acusações de todo tipo por parte da oposição, inclusive por parte do PPS, e recebeu uma consagradora aprovação. Isso é o que importa para o governo. Outras questões serão tratadas no seu fórum próprio, de acordo com o Código Penal Brasileiro.