A decisão da União Européia em restringir às importações de carne brasileira deve ser vista como um sinal de que o Brasil perdeu sua credibilidade ante o bloco europeu, de acordo com Pedro Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs). Segundo Camargo, que tem um importante histórico no combate à aftosa na pecuária brasileira, durante muitos anos o Brasil vem prometendo fazer a rastreabilidade e afirmando ter feito coisas que efetivamente não fez e a decisão da UE está amparada neste cenário.

Para Camargo, o momento agora é de cautela e de "reconstrução da credibilidade". "Se o Brasil acredita realmente que as 2,6 mil propriedades listadas para exportar para a UE realmente passarão pelo crivo de uma auditoria do bloco, então eles têm que bancar essa lista e pedir que a missão européia venha o mais rápido possível fazer esta avaliação. Se não, eles tem que recuar e não jogar pesado com os europeus porque se a missão vier e encontrar novas irregularidades no sistema de rastreabilidade, o resto de credibilidade que o Brasil possui irá para o lixo", disse.

Camargo não vê a decisão européia como uma ruptura e nem como uma atitude protecionista. Para ele, a UE está recomendando que a lista inicial seja pequena, mas com propriedades que se enquadrem nas regras de rastreabilidade requeridas pelo bloco. "A última missão que veio ao País constatou que havia muitas falhas no sistema de rastreabilidade, o Sisbov, e foi pedida uma modificação, que está começando a funcionar agora", disse.