Defensor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no debate realizado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o ex-ministro e deputado Antonio Palocci (PT-SP) propôs a criação de um sistema de metas de redução dos gastos públicos pelo governo federal. Mesmo ao reconhecer que a União gasta muito, o petista disse que não pode atribuir a gastança apenas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Faz 15 anos que o gasto público sobe. Temos que construir um acordo social para limitar esse gasto.

"Mas o governo nunca mandou nada para o Congresso para cortar gastos", cobrou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. para afirmar que o governo pode ficar sem a CPMF, Skaf disse que o tributo está embutido na cesta básica, coincidindo com os argumentos da relatora na CCJ, senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Skaf afirmou que sua posição contra a CPMF não é partidária nem contra o presidente Lula. "Só não é contra a CPMF quem não sabe o que é a CPMF", afirmou.

Segundo Palocci, manter simplesmente a mesma alíquota de 0,38%, seria não dar nenhum sinal de que deseja a redução gradual do chamado imposto do cheque. Mas ele disse que extinguir a CPMF seria "correr todos os riscos" e provocar uma desordem nas contas públicas. "Não tenho dúvidas, com a experiência que adquiri no governo, que tirar de um ano para o outro R$ 40 bilhões do orçamento público e aumentar recursos para a saúde, essa conta não vai fechar. Será desequilíbrio e inflação", disse.