Brasília – O relator na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga por mais quatro anos a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), deputado Antonio Palocci (PT-SP), informou nesta terça-feira (11) que no seu relatório recomendará a manutenção do imposto. Segundo ele, o Brasil não pode extinguir a contribuição de forma abrupta, sob pena de comprometer o equilíbrio das contas públicas.

continua após a publicidade

?Se o país chegar à conclusão de que a CPMF é um imposto que não deve se tornar permanente, ele não pode ser extinto de uma hora para outra. Se abrir mão de R$ 40 bilhões de receita, o Brasil vai experimentar uma mudança no quadro macroeconômico para pior?, alertou Palocci, que foi ex-ministro da Fazenda no primeiro governo do presidente Lula.

Palocci admitiu, no entanto, que a redução gradual da alíquota – hoje de 0,38% – é uma hipótese que está sendo debatida, e garantiu que não irá rechaçá-la. ?Só depois que receber todas as emendas vamos poder ter um relatório definitivo?, disse.

O deputado reconheceu que o imposto poderia ser mais eficiente se a alíquota fosse mais baixa do que a atual. Segundo ele, a CPMF é uma boa contribuição e não deve ser elevada, sob pena de ter efeitos negativos na economia, principalmente no crédito.

continua após a publicidade

?Temos sempre que preservar uma contribuição como esta com alíquotas baixas, acredito que até mesmo mais baixas do que a que temos hoje, ao longo do tempo. Vamos ver se isso vai ser analisado neste momento?, disse.

Apesar de defender a redução da carga tributária e acreditar que a arrecadação positiva do país abre espaço para a redução de impostos, Palocci afirmou que há outros meios de favorecer o contribuinte. E citou a desoneração da folha de pagamento, que segundo ele "teria um impacto mais interessante" na economia brasileira do que a redução da CPMF.

continua após a publicidade

Para o deputado, a CPMF é um dos melhores tributos na comparação com outros impostos. ?A CPMF é o tributo que melhor se comporta do ponto de vista da universalidade da sua cobrança?, defendeu.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também não descartou a redução da alíquota da CPMF.

Depois de se reunir com Palocci, Jucá disse que não foram discutidos números. ?Todas as variáveis estão sendo analisadas. O governo não pode prescindir dos recursos da CPMF principalmente no próximo ano. Mas há dentro da própria base do governo propostas para escalonamento da diminuição da alíquota?, confirmou o líder, sem detalhar como seria esse escalonamento.

O líder previu que a proposta só chegará formalmente ao Senado no início de outubro, mas disse que o Senado vai acompanhar a tramitação e a discussão do assunto na Câmara dos Deputados.

O deputado Antonio Palocci deverá apresentar seu relatório ainda hoje, em reunião da Comissão Especial da Câmara dos Deputados criada para analisar a prorrogação da CPMF, marcada para depois da sessão plenária.