São Paulo – Quinze anos atrás, a inflação de dezembro, na época medida pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), batia em 53,6%. Assim, a economia brasileira encerrava 1989 com uma alta acumulada nos preços da ordem de 1.765,47%. Na virada para 1990, em meio ao "vácuo de poder" que separou os últimos meses do governo de José Sarney da posse de Fernando Collor de Mello, em março, a questão entre os economistas era se o IPC de janeiro ficaria em 60%, ou 70%. Afinal, tais índices caracterizavam, ou não, um processo de hiperinflação? Nestes últimos dias de 2004, a inflação continua na ordem do dia, mas o tema hoje é alvo de um debate mais refinado. O descontrole de preços é algo fora de questão e as atenções se voltam para as tendências do núcleo do Índice de Preço ao Consumidor Ampliado (IPCA), o sucessor do IPC. Ou se a meta de inflação revista pelo Banco Central para 2005, de 5,1%, é audaciosa demais. "Hoje estamos brigando pela segunda casa decimal", observa o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, economista Paulo Picchetti. Segundo Picchetti, a inflação está estabilizada num patamar baixo e eventuais desvios nos índices são muito localizados. Decorrem de ocorrências climáticas internamente, ou de choques externos, como as recentes altas do petróleo: "Tudo indica que 2005 será bom, pois o cenário externo é favorável. A economia global vai crescer menos, mas vai crescer, há uma acomodação nos preços das commodities e o câmbio não será fonte de pressão de preços".