A americana Oprah Winfrey, que já esteve com João de Deus no Brasil em 2012, disse em nota nesta quarta-feira, 12, ter empatia pelas mulheres que acusaram o médium de abuso sexual após terem procurado tratamento espiritual. Oprah retirou do ar os vídeos de entrevistas que fez com João de Deus, após a vinda à tona das acusações.

“Eu fui ao Brasil em 2012 para gravar um episódio de ‘Oprah’s Next Chapter’ (próximo capítulo de Oprah, em tradução livre) que explorou os métodos controversos de cura de João de Deus. O episódio foi ao ar em 2013. Eu tenho empatia pelas mulheres que estão se apresentando agora e espero que justiça seja feita”, afirmou Oprah em nota.

Oprah foi uma das apoiadoras do movimento #MeToo nos Estados Unidos, que se popularizou em 2017 após uma onda de denúncias via redes sociais de assédio sexual praticado especialmente em ambientes de trabalho. O movimento ganhou a adesão de celebridades americanas e cresceu com a acusação contra o produtor de cinema Harvey Weinstein. No início de 2018, Oprah foi uma das protagonistas da cerimônia de entrega do Globo de Ouro ao fazer um discurso contra o assédio e o racismo – e falar sobre as acusações contra diretores e atores de Hollywood.

“Estou especialmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes o suficiente e empoderadas o suficiente para falar e compartilhar suas histórias pessoais. Cada um de nós nesta sala é celebrado por causa das histórias que contamos, e este ano nós nos tornamos a história. Mas essa não é uma história que afeta apenas a indústria do entretenimento. É uma história que transcende qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho”, disse Oprah, na ocasião.

Em 2012, a apresentadora foi a Abadiânia, em Goiás, para visitar a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus faz atendimentos e passou o dia no local, observando os procedimentos do médium. Na ocasião, além da entrevista feita, Oprah acompanhou cirurgias espirituais feitas por João de Deus – e ajudou o médium segurando instrumentos.

O advogado de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, afirmou não ter sido oficialmente notificado de um pedido de prisão preventiva contra seu cliente. “Não tenho essa informação. Mas se ela for confirmada, ela é descabida: ele está à disposição da Justiça, está trabalhando normalmente”, disse. O Ministério Público de Goiás não confirmou o pedido de prisão.

O Ministério Púbico de Goiás montou nesta segunda uma força tarefa para investigar as denúncias de abuso sexual que teriam sido cometidas pelo médium, que atende na cidade de Abadiânia. Em dois dias, 200 relatos foram reunidos.