A proposta de emenda constitucional aprovada ontem (19) na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado, que acaba com votações secretas em processos de cassação de mandatos na Casa, dificilmente será votada em 2007, ainda que o presidente da instituição, Renan Calheiros (PMDB-AL), se licencie do cargo ou perca o mandato por conta das outras quatro representações contra ele no Conselho de Ética. Parlamentares da oposição e do governo reconhecem que a aprovação na comissão foi mais fruto da "pressão da sociedade" do que qualquer outra coisa.
"A pressão da opinião pública levou à aprovação. Mas claramente é sabido que muitos (defensores do fim do voto secreto) estão mentindo", avaliou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Em algumas situações, como delegar que um diplomata vá para uma missão e uma declaração de guerra, o voto secreto é justificado até para uma questão de segurança nacional. Mas entre tudo ser fechado ou tudo ser aberto, melhor que tudo seja aberto", afirmou.
Líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC) disse que o partido já fechou questão em defesa do voto aberto. Mas reconheceu que a possível aprovação do fim do voto secreto pelo plenário não será tarefa fácil. "Aprovar emenda constitucional onde há consenso é muito rápido. Mas quando há divergência, o próprio regimento faz com que a tramitação se estenda por anos", afirmou.


