Brasília – Em pouco mais de 24 horas, a oposição no Senado conseguiu as 27 assinaturas necessárias para criar a CPI encarregada de investigar irregularidades na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e em outros órgãos ligados à aviação civil do País. O requerimento, de acordo com o líder José Agripino (DEM-RN), só será entregue na próxima semana quando terá o apoio, disse ele, de mais de 30 senadores.

O líder frisou que a intenção da investigação não é ?arrebentar? com o governo ou prejudicar servidores dos órgãos da aviação civil. ?Queremos, sim, identificar as causas do apagão aéreo, que o governo ou não foi capaz ou não quis identificar?, frisou. ?Queremos é identificar os problemas, as causas e as soluções?.

O senador Renan Calheiros fez um apelo para que os senadores desistam de investigar o apagão aéreo. Mas deixou claro que em nenhum momento vai desrespeitar o regimento da casa e o direito de realização de comissões parlamentares de inquérito para atender às suas expectativas. ?Eu fiz um apelo aos líderes para que eles repensem a idéia e que prevaleça o bom senso?, explicou.

Para ele, o Senado tem propostas mais urgentes a serem votadas, como o pacote de medidas que combatam a violência. ?É direito da minoria pedir a CPI, mas não é isso o que o Senado quer?, insistiu.

Câmara

Numa tentativa de desidratar a CPI do Senado, líderes do governo sinalizaram ontem que estão dispostos a instalar a CPI do Apagão Aéreo na Câmara. A idéia seria começar a investigação na Casa antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a criação da comissão de inquérito.

Nesse caso, a CPI do Senado seria redundante e os senadores poderiam resolver pela não-instalação. A operação na Câmara foi conduzida pelo líder do governo na Casa, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), que telefonou para líderes da oposição em busca de um acordo para evitar a dupla investigação.