Rio – A Operação Petisco, da Polícia Federal (PF), realizada ontem por 230 agentes na favela Tira-Gosto, em Campos, no norte fluminense, resultou na prisão de 37 acusados de pertencer ou colaborar com a quadrilha do traficante Luiz André Ribeiro Fiúza, entre eles dois policiais militares. Outros seis foram presos em Juiz de Fora e Belo Horizonte, onde ocorria a lavagem de dinheiro do grupo, segundo a investigação, iniciada há 4 meses. De acordo com a PF, Fiúza movimentava cerca de R$ 2,5 milhões com a venda de cerca de 450 quilos de maconha e 30 quilos de cocaína por mês.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que a operação foi uma demonstração do que pode ser alcançado com o trabalho conjunto entre as forças estaduais e da União no combate ao narcotráfico. "Foi fundamental o trabalho conjunto da Polícia Federal com as polícias locais, na maioria das vezes envolvendo o sigilo, um fator importante neste tipo de investigação", enfatizou.
Bastos disse que a investigação foi iniciada há meses pela Superintendência da PF no Rio e pela Missão Suporte, da área de inteligência. Com esse mesmo formato, outras operações integradas serão desencadeadas para sufocar o tráfico em todas as suas fases e desarmar os seus numerosos soldados, que atuam em comunidades da capital e regiões de influência. O ministro lembrou que, nos últimos 18 meses, a PF prendeu no Rio mais de 200 pessoas, em operações como a de ontem.
A base do traficante Luiz André Ribeiro Fiúza é a Tira-Gosto, mas ele teria ramificações em outros estados. O delegado José Mariano afirmou que Fiúza é um traficante "autônomo, sem ligação com facções criminosas como o Comando Vermelho", responsável pelo abastecimento de cidades do litoral norte fluminense como Búzios e Cabo Frio, na Região dos Lagos. A maconha vinha do Paraguai, e a cocaína, da Bolívia, segundo Mariano. O traficante foi preso em flagrante pela equipe do delegado no dia 14 de janeiro, ao receber um carregamento de 3 quilos de cocaína, em São João da Barra, município vizinho de Campos.
Além dos mandados de prisão, a PF cumpriu mandados judiciais de busca e apreensão em locais como o presídio onde o traficante está preso, em Campos, na agência de automóveis de Fiúza em Juiz de Fora, que seria usada como fachada, e na casa de uma advogada dele, em BH, onde funcionaria a "tesouraria" da quadrilha. Mariano afirma que Fiúza continuava controlando o tráfico do presídio, onde os agentes federais constataram que recebia "regalias" não concedidas a outros detentos, como ventilador e colchão novo.