A partir de segunda-feira (03), a cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) exigirá do governo do Brasil respostas para os casos de estupro de mulheres nos presídios brasileiros. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, alertará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o sistema penitenciário do País precisa ser reformado. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos argumentou que as penitenciárias são afligidas por uma "praga" e acusou a polícia de "cumplicidade" nos crimes.

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Louise começa a primeira viagem ao Brasil na segunda-feira a convite da administração federal, que tenta uma aproximação estratégica com a organização. Mas ela não deixará de cobrar e pressionar o Poder Executivo. A reportagem apurou que Louise pedirá mais recursos dos governos dos Estados para as prisões e os policiais, cobrará uma luta contra a corrupção, solicitará o fim dos abusos pela polícia e até mesmo apelará para que as condições de trabalho dos lavradores da cana sejam asseguradas na expansão do etanol (álcool) no País.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU, Yvon Edoumou, afirmou hoje, em Genebra, que Louise está "ciente" dos casos de abusos de mulheres nas prisões e que o tema fará parte da agenda. "O nosso escritório tomou conhecimento do caso de duas jovens que foram colocadas junto com presos e foram, repetidamente, estupradas com a cumplicidade da polícia", afirmou.

"Arbour usará o caso como um exemplo de uma questão mais ampla que atinge o sistema penitenciário como uma praga no Brasil", disse Edoumou. A situação dos estabelecimentos prisionais foi alvo de um amplo relatório da ONU que demonstrava que existia "tortura sistemática" nas cadeias brasileiras.

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Violência

Outro tema que será tratado pelas Nações Unidas será a violência policial. O objetivo é trabalhar com o Brasil para encontrar formas de combater os excessos. Com as autoridades dos governos de São Paulo e do Rio, o intuito será insistir para que mais recursos sejam destinados ao treinamento de policiais.

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Um assunto com o qual a ONU também promete lidar é o do impacto do etanol no direito à alimentação e nas condições de trabalho. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos negará apoio à conclusão de um documento, recentemente feito pelo sociólogo e relator da entidade para o Combate à Fome, Jean Ziegler, que pediu uma moratória na produção dos biocombustíveis e classificou o etanol de "crime".