São Paulo – O Partido dos Trabalhadores enfrenta "uma onda avassaladora de origem suspeita que quer se aproveitar de um momento de fragilidade". A opinião é do assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, para a sucessão de denúncias surgidas a partir do caso dos Correios e que têm envolvido integrantes do governo, o Partido dos Trabalhadores e provocado estragos no ministério do governo Lula, em seu partido e em partidos que integram a base aliada no Congresso.
Ele acredita que essa "onda suspeita" parte de "setores políticos" que estão atingindo o PT e o governo, "evidentemente com propósitos de caráter eleitoral". "Querem debilitar o PT, fragilizá-lo para que o partido chegue às eleições do ano que vem extremamente frágil, mas isso não acontecerá", disse.
Ao ser indagado se a sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, feita em entrevista à revista Exame, de que o presidente Lula deveria desistir da reeleição, Marco Aurélio riu e ficou ruborizado. "Acho isso tão divertido que fiquei vermelho" , ironizou. "Eu ainda não acredito que o presidente FHC tenha feito essa proposta. Acho que alguém anotou mal isso", disse.
Ele afirmou que o ex-presidente FHC, uma pessoa equilibrada, não faria uma proposta tão descabida. Marco Aurélio descartou a possibilidade de Lula não candidatar-se apenas pela sugestão do ex-presidente. "Se depender do PT, não tenho a menor dúvida, a unanimidade do partido estaria com Lula nessa posição (de tentar a reeleição). O projeto de reeleição está mantido, evidentemente dependerá da decisão do presidente Lula", afirmou o assessor.
Ainda ao falar da "onda suspeita", Marco Aurélio desqualificou o presidente licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), que fez as denúncias do mensalão e das arrecadações ilícitas para fundos de campanhas eleitorais. "Não vejo no deputado Roberto Jefferson nenhuma credibilidade, até porque é réu confesso, para começar a sacar contra dirigentes e personalidade do PT. Jefferson usa a tática do batedor de carteira que corre a rua e grita ‘pega ladrão’!" Para o assessor da Presidência, além das motivações políticas das eleições de 2006, Jefferson ataca o PT porque interesses ilegítimos foram contrariados por parte do governo. "Mas isso são as investigações que vão esclarecer", disse.


