Brasília – O Brasil foi considerado um exemplo na luta contra o fumo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A liderança internacional do país nas políticas contra o tabagismo foi destacada no relatório “Legislação em matéria de luta contra o fumo”.

Em todo o país, mais de cinco mil municípios já contam com o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Além das medidas legais para coibir o consumo de cigarros, restringindo sua propaganda e os locais de consumo e venda, uma série de ações educativas são desenvolvidas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ricardo Meireles, chefe-substituto da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, destaca a atuação direta nas escolas, com a inclusão do tema no currículo escolar, instruindo professores e alunos sobre o problema. Outro programa atua em empresas, hospitais, centros de saúde e consultórios médicos, transformando estes locais em ambientes livres do cigarro. A iniciativa protege os não-fumantes do tabagismo passivo, que é a terceira maior causa de morte no mundo.

Meireles lembra que o fumo é uma doença e tem que ser tratada como tal. Segundo ele, 80% dos fumantes querem parar de fumar, mas apenas três por cento conseguem. Ainda assim, como destaca o relatório da OMS, o consumo anual de cigarros entre os brasileiros caiu 32% entre 1989 e 2001. Entre as razões apontadas pela Organização para justificar essa queda estão a proibição da venda de tabaco para menores de 18 anos e as imagens de advertência sobre os males provocados pelo fumo estampadas em maços de cigarro.

O próximo passo para reduzir o consumo de cigarro no Brasil é dificultar o acesso ao tabaco, aumentando o preço dos cigarros, destaca Ricardo Meirelles. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que toda vez que o preço aumenta, o consumo diminui. Ricardo Meirelles lembra que, apesar de o Brasil ser um dos países que mais taxam o cigarro, o produto ainda é barato, facilitando o consumo pela população de baixa renda. O combate ao contrabando também é importante porque essa atividade reduz ainda mais o preço do cigarro e libera o acesso de menores de idade, que não podem comprar o produto no comércio.

O combate ao tabagismo é uma prioridade global das políticas de saúde. Existem um bilhão de fumantes em todo o mundo, cinco milhões morrem por ano vítimas de doenças provocadas pelo tabaco. (Ana Flor Maia)