São Paulo – Em 2004, o segundo ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os sem terra demonstraram um nível de ofensividade que não se via desde 1999. De acordo com relatório divulgado pela Ouvidoria Agrária Nacional, eles fizeram 327 ocupações de terra no País. Isso representa uma variação de 47% em relação a 2003, quando ocorreram 222 invasões. Em 1999 foram 502. O relatório da ouvidoria também registra um total de 16 mortes decorrentes de conflitos agrários no ano passado. Outras 19 estão sendo investigadas – para esclarecer se decorreram de disputas em torno da terra ou foram crimes comuns. Sob esse aspecto os números da ouvidoria indicam um recuo em relação a 2003. No primeiro ano do governo Lula o registro de mortes chegou a 42 – mais do que o dobro de 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando 20 pessoas foram assassinadas nos conflitos. Em 2004, o maior número de ocupações de terras ocorreu em abril. Foram 109 casos, no chamado abril vermelho – quase quatro por dia. O mês no qual os sem terra mostraram menor ofensividade foi outubro, com 7 registros. Em dezembro foram 11 casos. Desde 1995, quando a ouvidoria começou a registrar os conflitos agrários, não se tinha visto nada como o que ocorreu em abril deste ano. Até então, o mês de março de 1999 encabeçava a lista dos meses com maior número de ocorrências, com um total de 101. Pernambuco é o estado em que os sem terra mais fazem ocupações, de acordo com o relatório da ouvidoria. Do total de 327 invasões realizadas no ano passado, 76 foram conduzidas pelos movimentos pernambucanos. Em segundo lugar aparece São Paulo, com 49; e em terceiro, Minas, com 31.