São Paulo – É cada vez maior a tendência de se criar um novo partido de esquerda, para abrigar a esquerda do PT, ameaçada de expulsão por contrariar as orientações do Palácio do Planalto. A possibilidade de criação de uma agremiação foi levantada por integrantes do PSTU. O presidente nacional do partido, José Maria de Almeida, disse ontem que há espaço no Brasil para uma nova legenda que abrigue a esquerda socialista.

Zé Maria afirmou ainda que essa nova sigla abrigaria integrantes do PSTU, os radicais do PT, a base militante petista que, segundo ele, está descontente com o governo, além de demais simpatizantes e adeptos da luta dos movimentos sociais. Já respondem a processo na Comissão de Ética da sigla três deputados: João Fontes (SE), Luciana Genro (RS) e João Batista Araújo (PA), o Babá. Nesta semana, Fontes, Luciana e Babá provocaram ainda mais a ira da cúpula petista, ao terem votado contra a reforma da Previdência.

A ala radical do Partido dos Trabalhadores conta com 30 parlamentares, entre atuantes e simpatizantes. Zé Maria afirmou que o debate sobre a formação de nova agremiação não está em negociação, com a oposição petista, neste momento. “Temos evitado contatos formais até para evitar constrangimento”, afirmou, acrescentando que os rebeldes petistas, no entanto, sabem da proposta de criação de um partido. “Se o PT acha que lá não é mais o lugar deles, nós podemos recebê-los. Mais do que isso, estamos dispostos a criar uma nova legenda”, reiterou.

O presidente nacional do PSTU acredita que a esquerda brasileira pode somar força e construir uma unidade em torno da bandeira. Para Zé Maria, o PT deixou de representar a esquerda e também os movimentos sociais, ao conquistar a Presidência da República. O PSTU foi criado em 1994. Atualmente, tem cerca 25 mil filiados, segundo o presidente nacional. A legenda não fez, na eleição passada, nenhum deputado federal ou estadual. Tem apenas dois vereadores: um em Juazeiro do Norte (CE) e outro em Monte Carmelo (MG). Para o presidente do PSTU, Babá, Fontes e Luciana serão mesmo expulsos do PT. “Eu acho que eles serão expulsos. Acho também que eles também sentem isso”, disse. Além deles, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) também responde a um processo na Comissão de Ética do partido.

A situação de Babá, Luciana e Fontes, porém, é mais grave por causa da votação da reforma previdenciária, projeto considerado chave para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que contou com a ajuda da oposição para ser aprovado. O voto contrário dos três deputados do PT fez com que o presidente nacional da legenda, José Genoino, afirmasse que, se depender dele, Fontes, Babá e Luciana estão fora da sigla. A decisão, no entanto, cabe ao diretório nacional da agremiação, que só volta a se reunir em setembro, em São Paulo.