Brasília – A Polícia Federal informou ontem que foram encontradas notas falsas em meio aos R$ 10,2 milhões em dinheiro apreendidos na última segunda-feira com o deputado João Batista Ramos da Silva (SP), expulso do PFL, num avião fretado pela Igreja Universal do Reino de Deus no Aeroporto Internacional de Brasília. Além disso, foram identificados pelo menos R$ 2 mil em notas de R$ 100 com numeração em seqüência.

Os R$ 10,2 milhões que estavam guardados no Banco Central à disposição da Justiça foram recontados ontem pela empresa Confederal, que presta serviços para a Caixa Econômica Federal, porque o dinheiro foi depositado ontem numa conta da Caixa em Brasília. Segundo a PF, essa conta foi aberta em nome da Igreja Universal do Reino de Deus, mas o dinheiro permanece bloqueado, à espera de decisão judicial.

A Confederal transportou o dinheiro até a sede da empresa, no Distrito Federal, e deve devolvê-lo ao Banco Central. A conta aberta ontem é remunerada, diferentemente da anterior. Justamente por causa disso, a Universal pediu a abertura de uma conta remunerada na agência central da Caixa. Os R$ 10,2 milhões foram depositados na conta da Universal porque a abertura da conta exigia um CNPJ ou CPF.

A Polícia Federal não divulgou quantas cédulas falsas foram identificadas nem mesmo o valor unitário das notas. Quanto à numeração em série, a PF já havia constatado a existência de um maço de notas de R$ 50. A PF informou que as notas numeradas foram encontradas numa amostra analisada, não na totalidade dos R$ 10,2 milhões, mas não divulgou o tamanho da amostra.

O delegado de crimes financeiros da PF, David Servullo Campos, já recebeu ofício da Justiça Federal consultando-o sobre a necessidade de manter o bloqueio do dinheiro. O ofício já é resultado de um mandado de segurança ajuizado na quinta-feira pela Igreja Universal na Justiça Federal em Brasília pedindo a liberação dos recursos. A PF já adiantou que vai se manifestar contra o desbloqueio, pois entende que é preciso aprofundar a investigação sobre a origem dos recursos. A PF também pediu ao Cindacta o plano de vôo do avião em que viajava o deputado com as sete malas de dinheiro.