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Marina Silva: combate ao aquecimento global depende de um esforço conjunto.

Rio – A população do Nordeste será a mais afetada no Brasil pelas mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A afirmação foi feita na aula inaugural na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), na quarta-feira, no Rio de Janeiro, quando também previu o avanço da malária e da dengue no País como conseqüência das alterações climáticas previstas para as próximas décadas por cientistas de todo o mundo.

 Segundo a ministra, o enfrentamento do problema no Brasil depende de um esforço global entre os países. ?No caso brasileiro, se reduzirmos 100% nossas emissões de carbono e os países ricos não reduzirem o que eles emitem, nós seremos afetados igualmente. Se não for todos juntos, não tem como responder ao problema?, alertou.

A ministra lembrou que nos últimos dois anos o Brasil reduziu em 51% o desmatamento, que é a maior fonte de produção de gás carbônico (CO2) no País. Isso significou uma redução de 430 milhões de toneladas de CO2 nos últimos dois anos, que representa 15% de tudo o que os países ricos teriam que reduzir neste período.

Já a coordenadora do Programa de Mudanças Ambientais Globais e Saúde da ENSP, Diana Marinho, acredita que além de ações governamentais, as mudanças climáticas vão exigir a conscientização da população. A pesquisadora explicou que a alta da temperatura no planeta deve ocasionar verões mais longos e aumento de fenômenos extremos como grandes secas e chuvas intensas, gerando inundações.

Segundo ela, o calor poderá causar problemas respiratórios e as chuvas favorecerem a disseminação de mosquitos e roedores transmissores de doenças como a leishmaniose, leptospirose, hantavirose, malária, dengue e cólera. O que está previsto é um aumento da temperatura e mais espaçamento entre as chuvas, que virão em grande volume. ?Se a população não tiver consciência de evitar os lixos, de evitar materiais que propiciam criadouros (de mosquitos, de ratos), nós vamos ter explosões de doenças. Então, não é só questão de a gente pensar no aquecimento em si, mas uma questão de comportamento da própria sociedade. Hoje em dia a gente faz campanha de combate à dengue e as pessoas estão sempre cometendo os mesmos erros.?

Ela destacou também a necessidade de ações do poder público, principalmente na área de saneamento básico, e afirmou que o controle das vulnerabilidades climáticas pressupõe um conjunto de fatores. A evolução desse processo vai levar em conta um conjunto de situações: as doenças e seus vetores, o comportamento da sociedade e ação política que tem que ser feita.