O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou em entrevista coletiva que o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) deve se reunir na próxima segunda-feira, ao meio dia. O órgão, disse ele, deve referendar a decisão de que Congonhas deixe de ser um hub, passando a servir apenas para operações de vôos diretos, sem escala, e de distâncias curtas. O ministro se reuniu nesta sexta-feira (27), em São Paulo, com o governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab e empresários. Segundo Jobim, a idéia é que sete milhões de passageiros que utilizam o aeroporto de Congonhas sejam transferidos para os aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas. Congonhas recebe cerca de 15 milhões ao ano.

Jobim admitiu que Cumbica e Viracopos precisam de uma série de obras, tanto para melhoria das instalações portuárias quanto ao acesso a eles. O ministro disse também que a aviação executiva será transferida o "máximo possível" para o aeroporto de Jundiaí. Na avaliação de Jobim, essas medidas são o caminho para solucionar o problema de Congonhas e ampliar a segurança dos passageiros. O ministro confirmou que o Conac deve pedir à Anac um estudo para reestruturar a malha aérea nacional. Ele destacou ainda, que o governo federal discute, neste momento, soluções de curto e médio prazos para o setor aéreo.

Diante do governador Serra, que rechaçou a construção de um terceiro aeroporto na região de São Paulo, Jobim disse que o novo aeroporto será uma solução de longo prazo que será examinada pelo governo federal. "No momento, buscamos soluções para a desconcentração de Congonhas e otimização de Cumbica e Viracopos", declarou. O ministro reconheceu que a responsabilidade do governo federal vai além da construção da terceira pista de Cumbica e envolve, também, a melhoria do acesso ao aeroporto.

Jobim elogiou o trabalho dos peritos do IML na identificação das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, na terça-feira da semana passada, e disse que a situação demanda mais do que palavras, mas ações. Ele ressaltou que os órgãos de investigação vão apurar as causas do acidente, mas que isso não basta. "Que esse fato impactante, para não dizer horroroso, possa resultar em ações que resolvam os problemas", disse.

O ministro não quis comentar as razões da abertura e posterior fechamento da pista principal de Congonhas, nesta tarde, sob a justificativa de que cumpriu uma agenda de reuniões e que não estava a par do assunto.