A madrugada deste domingo, 3, foi marcada por tiroteios entre bandidos e policiais militares na zona Norte de Natal. Dois homens acabaram morrendo após tentarem fugir da abordagem policial e iniciarem a troca de tiros. Os casos ocorreram na mesma região administrativa da cidade, mas em situações distintas.

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Num dos confrontos, os policiais ordenaram que dois homens que estavam em atitudes suspeitas parassem para averiguação. Eles não seguiram as ordens e tentaram fugir. Um deles tentou entrar numa casa e acabou encurralado pela Polícia Militar. Foi quando se iniciou a troca de tiros.

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O homem atingido pelos disparos não resistiu e morreu no hospital. O comparsa conseguiu fugir.

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No outro caso, um homem disparou contra a viatura da PM e os policiais revidaram e acabaram atingindo o indivíduo.

De acordo com Boletins de Ocorrência registrados pelos policiais militares que participaram dos confrontos, os casos foram descritos como acontecimentos isolados, sem referência com a morte do policial militar Kelves Freitas de Brito, executado com três tiros na manhã do sábado, 2, em Parnamirim, região metropolitana de Natal.

A execução do policial militar foi comemorada com fogos de artifício em bairros da cidade de Parnamirim nos quais funcionam pontos de vendas de drogas e atuação de uma facção criminosa.

Após o assassinato do militar, cujos autores não foram identificados, bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) deram início a atentados em Natal. As ordens para as ações criminosas teriam partido das lideranças da facção presas no Complexo Prisional de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Eles alegam maus tratos e tortura na cadeia. O Estado nega.

Um ônibus da Empresa Guanabara foi incendiado e ficou completamente destruído pelas chamas. Por volta das 15 horas do sábado, bandidos em motocicletas e com armas em punho ordenaram que o motorista parasse o ônibus. O veículo faria o trajeto de um bairro da zona Oeste de Natal ao Centro da cidade. Apontando armas para o motorista e passageiros, eles obrigaram que todos descessem, espalharam gasolina e iniciaram o incêndio.

Como forma de amedrontar os passageiros que correram do local, além dos moradores do entorno, os homens atiraram diversas vezes para cima. Num muro ao lado do local onde o ônibus parou e foi incendiado, os bandidos picharam a sigla PCC (Primeiro Comando da Capital). O caso levou os empresários donos das empresas de ônibus que operam em Natal a determinar o recolhimento da frota.

Crise

O Governo do Estado determinou a convocação dos integrantes do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), instalado em momentos de crise na segurança pública, para analisar estratégias. O Estado, porém, evitou falar na atuação da facção criminosa e ressaltou que não havia nenhum motim ou rebelião nas unidades prisionais estaduais.

Somente após uma reunião com representantes das empresas de ônibus e a garantia de reforço policial nas paradas mais movimentadas e no entorno das garagens, a frota voltou a operar neste domingo.

O Governo do Estado, em nota, afirmou que o GGI permanece mobilizado, atuando no monitoramento das ações. As forças de segurança estão integradas, reforçando o policiamento em todo o Estado.

Os empresários donos das empresas de ônibus ressaltaram, porém, que qualquer indício ou confirmação de novo atentado contra o transporte coletivo de passageiros os levará a recolher a frota às garagens de forma urgente.