O número de acidentes no trecho de serra da Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) neste ano já supera o total de 2015. Com a tragédia envolvendo a queda do ônibus que matou 18 pessoas na quarta-feira, já são seis ocorrências em 2016, uma a mais do que em todo o ano passado. Três pessoas continuam internadas em estado grave. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão do governo paulista responsável pela administração da via, anunciou “vistoria geral” na estrada.

continua após a publicidade

Desde 2014, já foram 20 acidentes no trajeto de 11 quilômetros em plena Serra do Mar, entre as cidades de Biritiba-Mirim, na Grande São Paulo, e Bertioga, no litoral norte. Só no km 83,9 km da Mogi-Bertioga, onde o ônibus que transportava 45 estudantes universitários despencou de um barranco, são oito acidentes desde 2011, de acordo com o DER.

Sujeito a neblina, o trecho é inclinado, com pista simples, curvas e sem iluminação nem defensa metálica de proteção. “Sinalização e defensas são elementos importantes na segurança de estradas. A defensa, por exemplo, poderia minimizar a queda”, afirma Silvio Medici, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito.

De acordo com o DER, as defensas não foram implementadas “por questões técnicas”, que incluem “as dificuldades com as rochas existentes no local”. O departamento divulgou ontem que fará uma vistoria geral nos 50 quilômetros da estrada, para avaliar a necessidade de ações para o aumento de segurança de motoristas e usuários. “No entanto, a rodovia tem boa sinalização, tanto horizontal quanto vertical, limites de velocidade que proporcionam segurança aos usuários, quando respeitados, e 13 radares instalados”, informou em nota oficial.

continua após a publicidade

O local da tragédia fica em Bertioga, cidade paulista com a maior taxa de mortes no trânsito entre os 132 municípios do Estado com mais de 50 mil habitantes, segundo o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito de São Paulo (Infosiga SP). Foram 20 óbitos do tipo em 2015, o equivalente a 35,9 mortes por 100 mil habitantes.

Além da Mogi-Bertioga, que recebe cerca de 16 mil veículos por dia, o município litorâneo é cortado pela Rio-Santos, que recebe mais de 20 mil veículos diariamente. Em todo o Estado, 6.066 pessoas perderam a vida no ano passado em acidentes em vias urbanas ou rodovias. Uma em cada quatro vítimas tinha entre 18 e 29 anos, faixa etária da maioria dos mortos no acidente de quarta-feira.

continua após a publicidade

Perícia. O delegado da Polícia Civil de Bertioga, Maurício Barbosa, que assumiu o inquérito do acidente, deve receber apenas na próxima semana o laudo do ônibus. A perícia deve avaliar as condições de sistema de freios, suspensão, barra de direção, estado dos pneus e outros componentes do veículo indispensáveis à segurança dos passageiros, como a fixação dos bancos, a estrutura da carroceria e os cintos de segurança. Também vai apurar se houve ruptura ou defeito em algum componente.

Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, o exame do tacógrafo do coletivo que se acidentou pode não ser suficiente. “É importante estabelecer um histórico das viagens, para saber se regularmente o limite de velocidade era respeitado ou excedido.” Outro problema é a falta de fiscalização do uso do cinto de segurança: uma lei de 1999 passou a obrigar o uso nos ônibus, mas uma portaria estadual atribuiu aos motoristas a obrigação de informar os passageiros. “Nos casos de fretamento, é ainda mais difícil a lei ser cumprida, e não há fiscalização.”

O advogado da empresa União Litoral, Antonio Felisberto Martinho, disse que a companhia tem “todo interesse” no esclarecimento das causas do acidente. “Esse ônibus em especial tinha passado por manutenção corretiva e preventiva. A empresa nunca havia registrado um acidente com morte nem qualquer reclamação contra o motorista (morto no desastre), que era sério e competente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.