Rio – Cerca de cem policiais civis de diversas delegacias especializadas realizaram uma operação de caça ao traficante Dudu, na Favela do Jacarezinho, ontem. Na ação, foi apreendido um lança-rojões, com poder de destruir um tanque blindado, uma granada, munição para fuzil, uma pistola e cocaína. Sete carros e uma moto roubados também foram encontrados na favela.

No início da tarde, a polícia realizou outra apreensão de armamentos pesados, desta vez na Favela da Rocinha: três espoletas com dispositivos para acionar minas terrestres, uma granada e armas de diversos calibres e até munição utilizada para abater aviões ou helicópteros.

No dia 21 de abril, a polícia do Rio encontrou, pela primeira vez, minas terrestres usadas em guerras como parte de um arsenal de traficantes. Na ocasião, foram encontradas 161 granadas, oito minas terrestres, 30 mil munições de diversos calibres, dez coletes à prova de balas, botas militares e um fuzil AR-15. O armamento estava escondido em uma falsa cisterna, sob o piso de uma casa na Favela da Coréia, Zona Norte do Rio.

O material bélico apreendido foi avaliado em mais de R$ 300 mil. As minas são de uso exclusivo das Forças Armadas para obstruir o avanço de tropas de infantaria. A casa onde estava o armamento vinha sendo usada como paiol pelo traficante Robson André da Silva, o Robinho Pinga.

A numeração das granadas indicavam que o armamento foi desviado da Aeronáutica. Robson Egidio Lopes, um dos donos da empresa que fornece granadas para as Forças Armadas Brasileira, confirmou que vendeu 1.500 granadas à Aeronáutica e acrescentou que a legislação brasileira proíbe que um mesmo lote seja vendido para mais de um cliente, o que faz supor que as granadas encontradas em poder dos traficantes tenham sido desviadas dos militares. A Aeronáutica negou que as unidades encontradas tenham sido desviadas dos seus armamentos e abriu também um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a suspeita de que granadas de seu estoque teria ido parar nas mãos de traficantes.

A apreensão de armas de guerra em favelas do Rio vem tornando-se cada vez mais freqüente. A colaboração das Forças Armadas na guerra contra o tráfico no Rio foi decidida na reunião de segunda-feira, entre a governadora Rosinha Matheus e os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Defesa, José Viegas, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo. Os militares não farão patrulhamento ostensivo nas ruas, entretanto, farão um trabalho de inteligência e logística e participarão de incursões à favelas, com o objetivo de apreender armamentos pesados.