Brasília – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, pediu nesta segunda-feira (3) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que cancele a série de viagens programadas para esta e a próxima semana ? a maioria para o exterior ? para trabalhar nas articulações em torno da prorrogação por mais quatro anos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Múcio fez a sugestão durante a reunião da Coordenação Política do governo, no Palácio do Planalto, mas recebeu resposta negativa de Lula. ?Tem alguns casos que só o chefe resolve, mas o presidente disse que não será possível cancelar a sua agenda extensa no exterior. Mas, em qualquer lugar que esteja, o presidente pode conversar com as pessoas?, explicou o ministro. Nos dias 9 e 10, Lula vai à Argentina prestigiar a posse da presidente eleita Cristina Kirchner.

A CPMF dominou hoje (3) as discussões da reunião. Segundo Múcio, o governo continua empenhado em trabalhar a favor da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorroga o tributo por mais quatro anos, mas não pretende ampliar a articulação política em torno da aprovação da matéria no Senado porque os trabalhos já estão ?intensificados?.

?Não vai se intensificar [o trabalho de convencimento dos parlamentares], porque já está intensificado há algum tempo?, disse Múcio. ?Mas o governo tem procurado esclarecer algumas dúvidas que estão surgindo.?

A expectativa, tanto da base governista quanto da oposição, é votar a PEC em primeiro turno no Plenário do Senado na quinta-feira (6). Enquanto isso, segundo Múcio, o governo dará continuidade à estratégia de convencer os senadores, principalmente os indecisos, da importância de votar pela renovação da CPMF.

?Ninguém gosta de imposto, mas é uma coisa necessária para o país?, argumentou o ministro. ?Qualquer um que esteja no governo e entende a gestão do país sabe que a CPMF é imprescindível para a administração pública.?

Quanto à segurança do governo de levar a PEC da CPMF para o voto em plenário nesta semana, Múcio afirmou que a recomendação de pôr a proposta em votação depende do líder do Governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). ?É ele quem conhece a temperatura dos homens?, disse o ministro.