O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) faz sete protestos simultâneos na Grande São Paulo nesta quinta-feira contra o aumento da tarifa de ônibus municipais, intermunicipais, de trem e metrô. No Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, o protesto reúne cerca de 500 pessoas, segundo a PM, e mil, de acordo com os manifestantes.

O grupo saiu às 18h10 da Praça de Taboão, em Taboão da Serra, em direção ao Terminal do Campo Limpo. O trajeto inclui o bloqueio da estrada do Campo Limpo, uma das mais importantes da região, no horário de pico. Entre os manifestantes há idosos e crianças, como costuma acontecer nos atos do movimento. “Um último recado: só para lembrar que nossa manifestação é pacífica”, reforçou Natália Szarmeta, uma das líderes do MTST.

Ela explicou que as reivindicações não abrangem só moradia. “O ato é contra o aumento da tarifa, que é mais um aumento no custo de vida do trabalhador que tem acesso a serviços sem qualidade. Assim como o aumento da energia elétrica e a questão da água. Mesmo sem água, os moradores continuam recebendo a conta para pagar no fim do mês”, afirmou Natália.

Os manifestantes carregam bandeiras vermelhas e uma faixa na frente que diz “panelaço da periferia contra o aumento das tarifas e do custo de vida”. Ao mesmo tempo que canta, o grupo faz batuque em panelas. A aposentada Djanira Rosa de Jesus, de 65 anos, participa de todas as marchas do movimento. “Não falto aos atos de jeito nenhum. Tenho ansiedade, tenho pressa para conseguir moradia. Mas nunca é do jeito que a gente quer. Hoje moro de favor em uma área de risco no Jardim São Judas com meu filho e netas. Sou pai e mãe para eles, não é fácil. Tenho esperança que saia minha casa logo”, explicou ela, que reivindica moradia desde 1987. A polícia acompanha o protesto.

Cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fecharam um trecho da Radial Leste, no bairro Itaquera, na zona leste de São Paulo. O protesto, que terminou sem confusão, era contra o aumento da tarifa de ônibus, metrô e trem em São Paulo. Na última semana, o MTST decidiu organizar uma pauta conjunta com o Movimento Passe Livre (MPL) para realizar protestos pela periferia da capital e na Região Metropolitana. “Nos reunimos com o MPL e achamos importante lutar pelo aumento da passagem em conjunto”, disse Josué Rocha, líder do MTST no acampamento da Copa do Povo. “A gente teve um aumento, mas ele não acompanha a qualidade do transporte. Quem mora na periferia não tem condições de comprar o bilhete único mensal e sofre com o preço alto da unitária”, afirmou.

A concentração do protesto começou no centro de Itaquera, por volta das 17h. A maioria dos manifestantes eram moradores da Copa do Povo, -área invadida em maio de 2014 e depois adquirida pelo governo federal para reassentamento. Uma hora depois, o grupo ocupou a Avenida Itaquera e depois o sentido centro da Radial Leste em direção ao Estádio Itaquerão e ao Terminal do Metrô Itaquera. “A passagem aumentou, o feijão acabou”, gritavam.

Zuleide Carvalho, de 45 anos, foi à manifestação acompanhada de seus dois filhos. Trabalha como diarista no centro de São Paulo e afirma que o aumento já prejudicou a renda familiar. “Não tenho esse tal bilhete mensal. É muito caro e acabo pagando mais caro pra me deslocar pro trabalho. É o dinheiro do leite e do feijão dos meus filhos”, reclamou.

Na zona sul, os manifestantes saíram do Metrô Vila das Belezas e caminharam até o Terminal João Dias. Segundo o movimento, mais de mil pessoas participaram do ato. De acordo com a PM, foram 300. Houve ainda protestos no Terminal Jardim Ângela e no Terminal Varginha. No ABC, cerca de 50 pessoas, segundo a PM, caminharam até a Estação Santo André da CPTM. De acordo com o MTST, foram 350 pessoas. Outro grupo protestou no centro de Carapicuíba, na Grande São Paulo.